Brasília, 2 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ainda, na sua entrevista coletiva: "Eu gostaria de tecer algumas considerações adicionais à nota divulgada, antes de responder a algumas perguntas, não muitas, sobre o tema. A nota, eu acho, deixa claro que o governo decidiu fazer uma reformulação da Diretoria do Banco Central. Isso inclui a Presidência e algumas diretorias, e eu gostaria de explicar o que nos levou a isso. Há vários dias, tanto eu quanto o presidente do Banco Central colocamos os nossos cargos à disposição do presidente da República à luz do clima de tensões, turbulências e incertezas que a adoção, primeiro, do regime que esteve em vigor apenas por dois dias - em (dias) 13 e 14 de janeiro e, depois, durante os primeiros dias que toda a inquietação, turbulência e incerteza que um regime de flutuação traz. Como todos sabem, quem quer que tenha acompanhado a experiência de flutuação em qualquer outro país que tenha feito sabe que os primeiros dias de operação são marcados por incertezas, turbulências, por um flagrante exagero na depreciação da moeda, o que ocorreu Brasil com maior intensidade na sexta-feira passada. Nós dissemos que aqueles números não se sustentariam, que cairiam, como de fato estão caindo desde então. Mas o fato é que, dias atrás, tanto o ministro da Fazenda quanto o presidente do Banco Central deixaram o presidente da República inteiramente à vontade para que decidisse, pensando naquilo que nos interessa a todos, no País, no seu futuro, se era o caso de ele substituir duas pessoas-chave na sua equipe. Eu formalizei o pedido mais recentemente, e o presidente da República não aceitou e insiste na minha permanência no cargo de ministro da Fazenda. Como os senhores sabem, eu sou um servidor público de carreira, nunca fui outra coisa, não pretendo ser, e minha função é a de servir o País e às decisões do excelentíssimo senhor presidente da República. No que diz respeito ao Banco Central, o presidente me pediu a indicação de um nome, e eu lhe sugeri o nome do doutor Armínio Fraga Neto, e o presidente aceitou a indicação e está encaminhando o nome do doutor Armínio Fraga Neto ao Senado Federal para arguição pública, como determina o preceito constitucional".
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, na explanação com que iniciou sua entrevista à imprensa, declarou também: "Eu gostaria de fazer um comentário sobre cada um desses nomes (Francisco Lopes e Armínio Fraga). Em primeiro lugar, é com enorme pesar - porque aqui falo em nome meu, pessoal, porque o conheço há décadas e estou seguro de que falo em nome de todos no governo, não só da equipe econômica, mas de todo o governo - a expressar aqui nossa profunda admiração intelectual pelo professor Francisco Lafayete Pádua Lopes. É um dos mais competentes economistas desse País, teve um excepcional desempenho ao longo dos quatro anos e pouco na Diretoria de Política Monetária e de Política Econômica que ele acumulou no Banco Central, constituiu uma reputação nacional e internacional invejável, e eu lamento, dadas as qualidades do professor, que ele tenha optado não só por colocar o cargo à disposição, mas como aceitar a substituição que foi encaminhada ao presidente da República. O doutor Armínio Fraga Neto é um dos melhores economistas brasileiros que eu conheço, PhD pela Universidade de Princeton (EUA), professor em pelo menos duas grandes universidades americanas ao longo dos últimos anos, um dos mais respeitados operadores. Ocupou a Diretoria de Assuntos Internacionais do Banco Central, onde fez um trabalho admirável, e já havia decidido, como tive oportunidade de dizer a alguns de vocês, aqui, voltar ao Brasil com toda a sua família nos próximos quatro meses e, na verdade, já se havia decidido que o doutor Armínio se incorporaria à equipe econômica tão logo voltasse. O que nós estamos fazendo agora é antecipar em alguns meses a vinda do doutor Armínio Fraga e a sua integração à equipe econômica, na qual, estou seguro, tem total e absoluta afinidade, tanto no que diz respeito à decisão de adoção do regime de taxas flutuantes de câmbio como na orientação oficial de política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, que será mantida com determinação, como dissemos na nota (do Ministério da Fazenda). Portanto, o pesar que eu sinto com a saída do professor Francisco Lopes é, em parte, compensado pelo ingresso de um profissional do calibre, da competência e da experiência internacional e doméstica e do espírito público do doutor Armínio Fraga Neto.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, ainda na preleção anterior à sua entrevista, declarou: "Além da mudança na Presidência (do Banco Central), que estará sendo interinamente ocupada pelo diretor de Assuntos Internacionais do BC, doutor Demósthenes Madureira de Pinho Neto, até que o nome do doutor Armínio Fraga Neto seja considerado pelo Senado federal, como determina a Constituição. Nós teremos algumas outras mudanças em algumas diretorias do Banco Central, as quais eu não pretendo anunciar, até porque serão objeto de conversações que terão lugar a partir de hoje entre o doutor Armínio Fraga e o doutor Francisco Lopes. O doutor Armínio Fraga, como vocês sabem, neste período deve ocupar a posição - deve estar no "Diário Oficial"de hoje - de assessor especial do ministro da Fazenda e estará juntamente com os atuais integrantes da diretoria do Banco Central sugerindo a mim e ao presidente da República nomes de diretores a serem encaminhados ao Senado Federal. Há vagas a serem preenchidas e há algumas substituições a serem feitas, e eu não pretendo, não tenho condições e não seria cabível antecipá-las aqui agora" .

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