Malan responde a tucanos com defesa do modelo econômico
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domingo, 16 de maio de 1999
Por Denise Neumann e Eliane Azevedo 
Rio, 17 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, fez hoje um discurso contundente de defesa do modelo econômico atual e afirmou que ele é desenvolvimentista e está focado na busca do crescimento sustentado e melhoria das condições de vida da maioria da população. "É preciso sepultar a idéia de que de Brasília virão programas iluminados", afirmou, acrescentando que o "nome do jogo, agora, é discutir políticas de investimento e competitividade".
Seu discurso foi feito na abertura do XI Fórum Nacional de Altos Estudos, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e foi uma resposta às declarações do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, que defendeu - no último fim-de-semana - a necessidade de um programa mais agressivo de desenvolvimento econômico, com ampliação da oferta de crédito.
Malan não ficou sozinho na defesa do programa econômico. O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o presidente do Banco Central, Armírio Fraga, fizeram coro. "Temos identidade absoluta com o ministro Malan", disse Pimenta, acrescentando que "a estabilidade econômica não é conflitante com o desenvolvimento". Fraga disse que havia planejado "bater no pseudodesenvolvimentismo, mas o ministro Malan já o fez".
A defesa dos três integrantes do governo federal explicitou a divergência política que existe entre parte do PSDB e membros do governo. "Os que querem promover o desenvolvimento devem compreender a situação da economia brasileira e errarão muito, sob o ponto de vista político, se propuserem confronto", disse Pimenta em resposta a uma pergunta que questionava a entrega, por parte do PSDB, da formulação do programa econômico do partido a Mendonça de Barros.
O PSDB, segundo ele, deve ter uma ação de convencimento, "inclusive de setores do governo que sejam mais tímidos" sobre a importância do desenvolvimento".
Pimenta defendeu que o Plano Real deve ser ancorado pelo desenvolvimento. "O Plano Real não deve ser ancorado pelas medidas restritivas que foram adotadas até aqui, mas o PSDB trabalhará politicamente esta idéia, porque isso não conflita com as posições da área econômica", garantiu. "O partido não pode levantar a bandeira do desenvolvimento em confronto com qualquer outro setor do governo."
O ministro Malan afirmou, em seu discurso, que ser desenvolvimentista hoje em dia é "defender produtividade, redução de custos, aumento da produção, melhoria da eficiência do setor público, aumento do investimento em gente, em educação, em pesquisa".
"Ser desenvolvimentista, continuou, é ter responsabilidade fiscal e, se conceder subsídio, identificá-lo no Orçamento para que a sociedade saiba o que está pagando", afirmou. "Não é com canetadas que se promove o desenvolvimento do País."
"O governo é pró-ativo", disse o ministro, pontuando que essa ação se dá na eficiência do gasto público, na atividade reguladora e nos programas como o Brasil em Ação, já planejados até o ano 2003.
O presidente do Banco Central argumentou que o BC está agindo para reduzir os custos de intermediação financeira e que essas medidas vão aumentar a eficiência dos bancos, "contribuindo para o desenvolvimento".
Reformas - No encerramento da abertura, Pimenta da Veiga e o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), protagonizaram um pinga-fogo a respeito da condução política das reformas.
Em seu discurso, o ministro havia defendido que a reforma política tivesse prioridade sobre a tributária e a da Justiça. "É, na verdade, a mais importante das reformas e, se não acontecer nos próximos 90 dias, acabará ficando para a outra legislatura", argumentou o ministro.
Contrariado, Bezerra, ao tomar a palavra, afirmou que o governo deveria priorizar a reforma tributária. "Também digo que, se não for este ano, não acontecerá", apontou. "A reforma tributária é uma prioridade que nunca se consolidou e uma decisão do Poder Executivo é fundamental para isso."
Pimenta contra-argumentou, garantindo que o governo quer a reforma tributária o mais rápido possível, mas acha que a reforma política, com a diminuição do número de partidos, facilitará a tarefa. "Acho difícil aprovar a reforma tributária no atual regime de votação em dois turnos, por isso, defendo que a reforma política tenha preferência na votação", disse.
Ao final do encontro, Pimenta e Bezerra se cumprimentaram, mas o presidente da CNI não quis ficar com a última palavra: "Se tiver de acontecer uma reforma apenas esse ano, que seja a tributária". O ministro ainda ouviu um conselho do ex-ministro Marcílio Marques Moreira: "É melhor tentar fazer só o possível".


