Malan receberá governadores de oposição
Brasília, 08 (AE) - Para evitar constrangimentos, os governadores de oposição que participariam amanhã (09) pela manhã de um café da manhã com presidente Fernando Henrique Cardoso serão recebidos pelos ministros Pedro Malan (Fazenda), Pimenta da Veiga (Comunicações) e Waldeck Ornélas (Previdência) numa reunião que acontecerá na sede do Ministério da Fazenda. A solução política acabou saindo depois que os governadores Anthony Garotinho (PDT-RJ), Olívio Dutra (PT-RS) e Ronaldo Lessa (PSB-AL) - representantes do grupo dos sete governadores de oposição - ameaçaram comparecer hoje pela manhã no Palácio da Alvorada.
"Aqui é a casa do presidente, e os governadores sabem que têm que respeitar a casa dos outros", disse Pimenta da Veiga, ao deixar hoje o Palácio da Alvorada, enquanto tentava fechar um acordo com os governadores. O café da manhã acabou sendo cancelado depois que os governadores de oposição prepararam uma pauta de reivindicações na última sexta-feira, em Porto Alegre. "Eles acabaram tirando uma nota inconsequente e deselegante", criticou o ministro das Comunicações.
À tarde, Pimenta da Veiga informou que o presidente está disposto a receber os governadores em outra oportunidade para tentar encontrar uma solução para os Estados. Mesmo assim, o ministro foi incisivo em relação à renegociação da dívida dos Estados. "Quem preferir, o governo está disposto a voltar a situação anterior", disse Pimenta da Veiga, acrescentando que as condições eram bem piores, já que os juros chegavam a casa dos 40% para pagamento em 12 meses. "Hoje o juros são de 6% para pagamento em 30 anos", observou. Ele disse que a União acabou absolvendo R$ 120 bilhões da dívida dos Estados, o que corresponde a um terço da dívida pública federal.
Os governadores de situação saíram em defesa do presidente Fernando Henrique Cardoso. O governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB) - principal articulador da criação de um fórum único de governadores - criticou a posição de seus colegas da oposição. "É evidente que qualquer negociação só poderia acontecer se houvesse uma disposição aberta entre as duas partes", disse Tasso. "Mas se previamente uma das partes já fecha quais são as conclusões da negociação, a reunião perde sentido", argumentou o governador tucano, referindo-se ao encontro de Porto Alegre.
Tasso defendeu uma negociação individual, por causa das peculiaridades de cada Estado. No final da tarde, o ministro Pimenta da Veiga também já colocava esta opção como sendo oficial. Mesmo assim, a opinião não é consenso entre os aliados. Hoje, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que esteve no Palácio da Alvorada, ponderou com o presidente que, na época, o acordo da renegociação da dívida era vantajoso para os governos estaduais. "Mas é bom lembrar que com a Lei Kandir e o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), os Estados ficaram mais pobres", disse Simon ao presidente.
Hoje pela manhã, Fernando Henrique chegou a reunir vários assessores para encontrar uma saída que evitasse o desgaste da relação da União com os governadores de oposição. O impasse foi resolvido com a interferência do articulador político do governo
Pimenta da Veiga. Ao todo foram três telefonemas do ministro tucano para Garotinho. O primeiro telefonema foi dado na noite de domingo. Pimenta da Veiga foi claro ao falar com o governador pedetista. Disse que a presença dos três governadores na porta do Alvorada, com reunião cancelada, causaria um grande constrangimento.
Na manhã de hoje, ainda foram feitos outros dois telefonemas. Garotinho estava disposto a negociar. "Com sua habilidade, encontre uma solução para o impasse", disse o governador para Pimenta da Veiga, que logo depois retornou a ligação. Com a proposta, Garotinho passou a articular com os outros governadores de oposição a reunião com o ministro Pedro Malan. Segundo Pimenta da Veiga, além da discussão da renegociação da dívida, também será debatida uma solução para a situação previdenciária dos Estados. Por isso a presença de Waldeck Ornélas. Segundo o ministro das Comunicações, em alguns Estados, o gasto mensal com a previdência de servidores inativos supera os 30% da arrecadação.





