São Paulo, 11 (AE)- Entrevistado no Programa Jô Soares, da Rede Globo, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, repetiu o que tem respondido, nas últimas semanas, sobre o valor do salário mínimo definido pelo governo. O ministro voltou a insistir na tese de que um bom governo não se preocupa em colher os frutos antes do tempo, pondo a perder toda a semeadura. Aumentar o mínimo para obter apenas melhores índices de aceitação popular, segundo repetiu Malan, traria como resultado a volta a inflação.
O ministro respondeu às críticas feitas à comparação entre o valor do mínimo e o da cesta básica. "É uma lástima que as nossas oposições se recusem a discutir esta questão. Porque elas sabem que estamos certos, não querem conduzir a discussão destas questões, e fazem esta brincadeira, de mau-gosto, dos 20 reais que sobrariam depois de pagar a cesta básica", lamentou. "O salário mínimo, quando lançamos o Real, era de 64,79 reais. Para comprar a mesma básica, em 1º de julho de 1994, precisava-se de dois salários mínimos e levava um troco de 22 reais. Hoje, precisa-se de um salário mínimo e leva-se um troco de 20 reais. Foi essa a comparação que fizemos", justificou.
O ministro admitiu que o valor do mínimo é baixo e explicou as razões do governo em não poder aumentá-lo: "O problema é que ele não pode ser elevado por um ato de simples vontade política. Cada 5 reais de aumento significa mais um bilhão de gastos, que nós temos que cortar em outro lugar: na saúde, na educação, no investimento público". "Eu adoraria poder chegar amanhã ao presidente Fernando Henrique Cardoso e dizer: nós achamos que é possível ter um salário mínimo de 200, 250, 300, 400 reais. Eu não tenho dúvida de que ele diria, como Jânio Quadros: então, tenhamo-lo. Ou façamo-lo.

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