Brasília, 24 (AE) - As taxas de juros vão baixar de forma significativa este ano. A afirmação foi feita, na tarde de hoje pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Segundo ele, as taxas de juros altas refletem a vulnerabilidade do País. Mas ele admitiu ser possível chegar ao final do ano com taxas reduzidas, tanto as nominais como as reais este ano.
Malan destacou que a intenção é manter a política de queda das taxas nos próximos anos. "O governo não vai continuar com a política de juros altos", afirmou. Segundo o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, o momento é de manter as políticas monetária e fiscal sólidas. Ou seja, fazendo reduções de juros, como a que foi determinada hoje, quando há espaço para isso. Ele explicou que as duas políticas - monetária e fiscal - auxiliarão uma terceira, no caso da política de intervenções do BC no mercado de câmbio, para evitar maiores movimentos e deslizes das taxas de câmbio que possam provocar inflação. "As políticas de intervenção, se não forem acompanhadas de políticas monetária e fiscal sólidas, são desperdício de recursos", afirmou.
Fraga avisou que "no segundo semestre, a presença do BC no mercado de câmbio será rara". E explicou que, a partir da mudança do regime cambial, em janeiro último, houve uma troca de âncora do plano econômico. Ou seja, deixou-se a âncora cambial e
segundo ele, a escolha do governo foi por uma política que visa diretamente indicar o nível de taxas de inflação. "De longe é o regime mais adequado para o Brasil", destacou.
Como o governo ainda prepara o novo sistema, Fraga disse que, até junho, estará trabalhando com parâmetros monetários. E destacou que estes parâmetros indicam que o País chegará ao último trimestre do ano com uma taxa de inflação de 0,6% ao mês. Neste semestre, segundo ele, o BC tem trabalhado em três grandes frentes para reverter as dificuldades que o País enfrentou nos últimos meses.
A primeira delas foi a desvalorização cambial, que tirou maior pressão sobre o balanço de pagamentos. Em outra frente, o BC estará fazendo as intervenções e injetando no mercado de câmbio um total de US$ 8 bilhões para manter o mercado uniforme. A terceira frente são os road shows, ou seja, os encontros com investidores internacionais para que eles retomem os investimentos no País.
No mercado, as taxas de juros já estão abaixo daquelas praticadas pelo governo. Segundo Fraga, as atuais taxas de longo prazo estão em 35%. "Há seis semanas estas taxas chegaram a 60%", destacou. Para o prazo de um ano, as estimativas são de juros em torno de 37,5%. O presidente do BC esteve hoje na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal acompanhando o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Eles foram convocados para explicar a revisão do acordo com o FMI.

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