Montevidéu, 07 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan
afirmou hoje que o País irá ter um crescimento médio do Produto Interno Bruto "superior a 4% ao longo dos próximos três anos". De acordo com o ministro, este crescimento será acompanhado de "inflação sob controle e sem problema no balanço de pagamentos".
Segundo afirmou logo após o final de uma reunião com ministros da área econômica do Mercosul em Montevidéu, esta será "uma enorme contribuição da maior economia da região para os outros países membros". Nas últimas semanas, analistas econômicos têm projetado um crescimento econômico inferior a 4% para o próximo ano como forma de conter a evolução inflacionária.
Mas a inflação foi um assunto minimizado por Malan durante o dia de hoje, chegando o ministro da Fazenda a não dar relevâncias às previsões de que a taxa inflacionária irá recuar no mês de dezembro. "Não devemos ficar obcecados com taxa da semana, da quadrissemana ou do mês", disse Malan, para quem "a discussão hoje é se o índice vai ficar em 8,5% ou 8,7% ao ano, quando no passado se discutia se seria de 1.000% ou 2.000%, portanto, esta não é uma questão para incendiar os corações e as mentes das pessoas".
Otimista, Malan afirmou que a tendência de valorização do real frente ao dólar deverá se manter. "Os fatores que nós achamos que podem levar a uma apreciação do real em relação ao dólar são mais razoáveis do que os fatores que possam levar a uma depreciação", disse. O ministro só mostrou impaciência quando soube que o chanceler uruguaio, Didier Opertti, mencionou que a desvalorização do real em 13 de janeiro causou problemas ao Uruguai e citou-a como exemplo de uma necessidade de maior troca de informações entre os países membros.
"Não existe País nenhum no mundo que faz consultas amplas, gerais e irrestritas a países vizinhas acerca de questões como se pode ou não pode e se deve ou não deve desvalorizar a sua moeda", disse. Na noite de ontem, Malan esteve reunido com ministros da área econômica do Mercosul, mas negou que este assunto tivesse sido abordado. Segundo Malan, os ministros começaram a preparar um texto, que poderá se transformar em uma declaração dos presidentes dos quatro países membros, mostrando uma estratégia comum para uma convergência macroeconômica "e as direções em que os países do bloco devem trabalhar", afirmou.

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