Brasília, 24 (AE) - Depois de uma reunião de quase duas horas, a comissão do PFL formada para discutir o assunto saiu do Ministério da Fazenda, no início da noite de hoje, sem estar convencida de que o Executivo não pode conceder um aumento de 177 reais no valor do mínimo. Durante o encontro, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, apresentou um cenário tenebroso para a economia brasileira, caso o aumento alcance o valor equivalente a US$ 100, mas negou que o governo decidiu um reajuste de 150 reais.
"Malan foi para a reunião preparado para destruir o mínimo de 177 reais", disse o deputado Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP), ao sair da reunião.
"Mas saímos otimistas desse encontro porque o ministro garantiu que estava disposto a fazer algo concreto", observou Medeiros, que também estava acompanhado do senador José Jorge (PE), presidente da comissão do partido para estudar o aumento do mínimo, e dos deputados Vilmar Rocha (GO) e Werner Wanderer (PR).
Segundo Jorge, o partido agora irá analisar os números apresentados por Malan para poder apresentar uma proposta ao governo.
"Vamos sugerir uma fórmula para conseguir recursos", disse Jorge, que não descartou até mesmo o uso do dinheiro do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza para compensar o rombo nas contas públicas que o aumento do mínimo pode causar.
Malan e os assessores apresentaram um quadro de terror aos pefelistas, caso o mínimo pule para 177 reais. Segundo o titular da Fazenda, caso esse valor seja aprovado, trará um impacto nas contas públicas em 2000 de R$ 4,5 bilhões. "Isso representa 10% da parte do Orçamento que pode ser mexida", disse Malan para os parlamentares do PFL. Pelo estudo da Fazenda
esse aumento do mínimo também representaria um aumento de 1% da inflação. Pelos números apresentados, só o déficit da Previdência cresceria R$ 3,2 bilhões, sem contar com um gasto extra de R$ 1 bilhão em seguro desemprego e PIS/Pasep.
Na reunião, Malan também lembrou que, atualmente, apenas 13,9% da população economicamente ativa ganha o mínimo, contra 70,7% dos trabalhadores em 1960. "O número de pessoas que ganham o mínimo diminuiu bastante", disse. O ministro também contestou um estudo publicado pela imprensa, de que, na década de 40, o valor do mínimo era de US$ 400. "É só lembrarmos que em 1950 a renda per capita era de US$ 214", argumetou Malan. Ele também sugeriu que o partido fizesse uma avaliação do impacto do aumento do mínimo nas 1.112 prefeituras controladas pelo PFL e no setor de construção civil, uma vez que os salários são baseados pelo mínimo.

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