Malan não vê risco de aumento generalizado de preços
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 29 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje em entrevista ao programa "Jô Soares 11 e Meia", do SBT, que não acredita que o reajuste das tarifas públicas vá provocar um aumento generalizado de preços. "Vivemos num país desindexado", disse. Malan afirmou que, se o governo mantivesse o preço da gasolina, apesar da alta do preço do petróleo no mercado internacional e da movimentação do câmbio, seria "subsidiar" os consumidores.
Vários segmentos econômicos, depois do aumento dos combustíveis, mostraram-se decididos a reajustar seus preços, entre eles os ônibus interestaduais e os transportadores de cargas.
Durante a entrevista, Malan fez comentários positivos a respeito dos cinco anos do Plano Real, que fará aniversário na quinta-feira. "Em todos os anos do Plano Real, o Brasil teve crescimento econômico, ainda que tenha sido pequeno no ano passado e possa ser praticamente nulo este ano", afirmou. "O importante é que, no ano 2000, as nossas perspectivas de crescimento são de 4%, e vamos seguir adiante nessas mesmas bases de expansão."
O ministro se recusou a comentar as metas inflacionárias
que serão definidas amanhã (30) na reunião do Conselho Monetáro Nacional. "Eu sou contra informações privilegiadas", afirmou o ministro. O apresentador Jô Soares insistiu várias vezes na pergunta, mas Malan manteve o silêncio. Na saída da emissora, Malan não quis falar com a imprensa e saiu sem dar declarações.
Política - O governo vai enfrentar a queda de popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso com serenidade, segundo disse Malan na entrevista. Para o ministro, não seria correto o governo alterar todas as suas políticas de curto prazo em razão de pesquisas que indicam queda na boa imagem de Fernando Henrique Cardoso. "Tenho certeza de que haverá uma recuperação na popularidade do presidente quando a economia voltar a crescer e o desemprego cair", disse.
Malan considerou também "prematuro" dar início às campanhas presidenciais, quando o atual governo ainda tem três anos e meio de mandato pela frente.
Durante a entrevista, Malan disse que nenhum dos membros do governo é "monetarista", e o debate entre os monetaristas e desenvolvimentistas foi extremamente tolo. "Todos nós somos favoráveis ao desenvolvimento econômico e social e poderíamos perfeitamente provocar uma bolha de crescimento econômico no curto prazo, mas isso teria consequências terríveis."


