Malan: não haverá alteração na política econômica
Brasília, 2 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que a alteração no comando do Banco Central não implica em alterações nos rumos da política econômica e no regime cambial. "Não há, neste reforço institucional qualquer alteração nos rumos da política econômica e do regime cambial, que continuarão sendo perseguidos pelo governo Fernando Henrique Cardoso", disse o ministro. Segundo ele, a troca na presidência do BC não é, de forma alguma
"uma mudança no rumo da política econômica".
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, deixou claro, há pouco, que não existe nenhuma ligação entre as opiniões do megaespeculador George Soros e as do futuro presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que foi seu assessor. Segundo Malan, no momento oportuno Fraga manifestará suas opiniões. Ele evitou comentar as razões por que o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu substituir Francisco Lopes na presidência do BC. Malan disse que, em seu depoimento no Senado, que o sabatinou para aprovar sua indicação, Lopes foi claro ao dizer que, como diretor do BC durante quatro anos, compartilhava de toda a política econômica do governo, inclusive do Banco Central.
O ministro da Fazenda, Pedrfo Malan, lembrou há pouco que, desde 97, o real vinha se desvalorizando em relação ao dólar, acumulando 12% em dois anos. Em 1998, segundo o ministro, o governo percebeu que a estratégia gradualista tinha que ser mudada em função de um contexto internacional adverso e da vulnerabilidade da moeda. Ele ressaltou, mais uma vez, que ele e Francisco Lopes colocaram seus cargos à disposição para deixar o presidente mais à vontade.
Malan evitou há pouco fazer comentários sobre o nível de equilíbrio da taxa de câmbio. Ele ressaltou que, na sexta-feira, houve um "flagrante exagero" na cotação do dólar, sem justificativa nos fundamentos da economia. "Não é apropriado quando e para quanto o dólar iria cair", afirmou. "A queda da cotação depende de um complexo de forças do mercado e da capacidade de demonstrarmos que temos condições para equacionar os problemas da economia brasileira". Ele disse que "a situação, de acordo com as telinhas (as agências em tempo real), já está se revertendo".
Malan também não quis, há pouco, apontar a data exata em que foi acertada a ida de Armínio Fraga para o governo. Ele confirmou, no entanto, que houve um jantar com o presidente da República, do qual participaram o ex-presidente do BNDES André Lara Resende, Armínio Fraga e Francisco Lopes. Nesse encontro, segundo ele, foi discutida a situação geral da economia, mas não foi feito convite a ninguém. O importante, para Malan, é que a decisão do presidente de mantê-lo no cargo e promover mudanças no BC foi comunicado pelo presidente "em tempo razoável".
Malan disse que não há nenhum prazo pré-definido para sua permanência no governo. "Ficarei no cargo enquanto gozar da confiança do presidente Fernando Henrique Cardoso", disse.
O ministro da Fazenda assegurou há pouco que "foi zero, em toda a discussão sobre mudança do câmbio, a participação de qualquer pessoa de fora do governo". Ele disse que não houve, absolutamente, nenhuma conversa com o futuro presidente do Banco Central, Armínio Fraga, sobre as mudanças do câmbio e que muitas críticas surgiram justamente por causa da falta de consultas. Malan ressaltou que a mudança no BC tem o objetivo de reforçar algumas áreas. Segundo ele, o País tem que se habituar a conversar, assim como tem que acontecer quando houver a mudança do sistema de intervenção no câmbio. As mudanças na diretoria do BC, segundo o ministro, farão com que se possa operar de maneira mais adequada ao regime de câmbio flutuante. Ele elogiou Fraga dizendo que ele tem anos de experiência, conhecimento dos mercados doméstico e internacional e "é um dos profissionais mais respeitados no Brasl e no exterior".
Malan garantiu que a alteração no comando do Banco Central não implica em alterações nos rumos da política econômica e no regime cambial. "Não há, neste reforço institucional qualquer alteração nos rumos da política econômica e do regime cambial, que continuarão sendo perseguidos pelo governo Fernando Henrique Cardoso", disse o ministro. Segundo ele, a troca na presidência do BC não é, de forma alguma, "uma mudança no rumo da política econômica".
Malan disse ainda na entrevista coletiva que o presidente indicado para o Banco Central, Armínio Fraga, estará totalmente integrado. Indagado se Armínio Fraga já iria participar das reuniões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro disse que Fraga fará "aquilo que lhe for delegado em termos de tarefa". O secretário Executivo do ministério da Fazenda, Pedro Parente, disse que Armínio Fraga estará chegando a Brasilia na hora do almoço. O Diário Oficial já publicou hoje decreto do presidente nomeando o economista para o cargo de assessor especial do ministério da Fazenda. Com a confirmação do DO, Armínio Fraga já faz parte oficialmente da equipe econômica.
Pedro Malan disse também que considerou "relevante" o discurso feito ontem pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), principalmente na parte em que ele reiterou que o Senado e o Congresso não faltarão ao País. Sobre os especuladores, criticados por Magalhães, Malan disse que ele próprio já havia afirmando, na última sexta-feira, que havia interesse destes na elevação da taxa de câmbio, naquele momento, porque era o último dia do mês e havia o vencimento de opções. Malan reiterou que o Banco Central estará atento, fazendo uma análise das operações que foram feitas "que podem ser criticáveis". Segundo o ministro, é importante "distinguir entre as operações legítimas de compra e venda do mercado, aquelas que são tentativas de afetar as cotações de preços e aquelas associadas a rumores e insinuações mentirosas do tipo que circularam na quinta e sexta-feira da semana passada". Ele disse que "não se responde a boatos com boatos e às especulações, com ação concreta".





