Paris, 02 (AE) - Após um encontro de 40 minutos com o governador do Banco Central da França, Jean Claude Trichet, no qual o ministro Pedro Malan da Fazenda explicou as condições da revisão recente do acordo negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro brasileiro lamentou não se ter avistado com Dominique Strauss-Khan, até ontem titular da Pasta da Economia na França, cuja demissão provocou o cancelamento da audiência prevista para o fim da tarde. Malan referiu-se ao ex-ministro dizendo que ele sempre teve um comportamento muito positivo em relação ao Brasil nas reuniões do FMI em Washington e em seus encontros em Paris.
A demissão do ministro de Economia da França, Dominique Strauss-Kahn, não foi um bom negócio para Brasil. Entre os dirigentes europeus, o ministro francês foi um dos que mais se empenharam em convencer alguns de seus colegas mais reticentes do Grupo dos Sete países industrializados (G-7) e da União Européia a ajudar o Brasil na fase mais aguda da crise financeira. Em Bercy, sede do Ministério de Economia, a orientação dada pelo ministro a seus assessores era de que se empenhassem nas conversas com burocratas europeus, entre eles os alemães, para vencer as resistências técnicas que poderiam dificultar a participação da Europa na montagem do plano de ajuda financeira ao governo brasileiro, articulado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Mesmo nos momentos mais difíceis da crise, Strauss-Khan esforçou-se também, afirma uma fonte de Bercy, em assegurar que as portas ficariam abertas para o Brasil, mesmo no Coface (o Eximbank francês), um organismo privado que sofre grande influência do governo. Com isso, conseguiu manter abertas as linhas de crédito de exportação para o Brasil.
Para Malan, o ministro francês demissionário conhecia de perto a política econômica brasileira. Era, além disso, um homem com quem sempre se entendeu muito bem.
O encontro de hoje entre Malan e Strauss-Khan estava inicialmente agendado para as 11 horas, mas diante do agravamento da crise foi transferido para as 17 horas e, finalmente, cancelado em razão de sua demissão. Respondendo a uma pergunta sobre o déficit brasileiro em conta corrente, Malan afirmou que a queda vai continuar. De US$ 33,6 bilhões passou para US$ 24,5 bilhões, uma queda significativa de US$ 9 bilhões. Essa queda vai continuar no ano que vem. Isso se deve, em grande parte, aos investimentos diretos externos que vão continuar elevados. Malan advertiu que o problema brasileiro não se encontra na área externa, mas sim na frente doméstica.

mockup