Brasília, 10 (AE) - Na carta enviada ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, justificou sua ida ao Banco Central no dia 15 de janeiro para participar, com Amaury Bier (na época secretário de Política Econômica), exclusivamente de discussões sobre o regime cambial brasileiro e as alternativas para sua modificação, dadas as "flagrantes dificuldades de manutenção do sistema que vinha funcionando desde 13 de janeiro". "Não tratei de qualquer outro assunto nesse dia - e nem na véspera, quando aparentemente a decisão sobre os bancos teria sido tomada pela diretoria pelo Banco Central", diz Malan, na carta.
No mesmo documento, Malan atribui a convicção das denúncias apresentadas contra ele, de que teria participado da decisão sobre os bancos Marka e FonteCindam, ao fato de ele ter estado no BC na manhã do dia 15 de janeiro. Segundo Malan, tanto o jornal "Folha de S.Paulo" quanto a revista "IstoÉ" publicam informações sobre a existência de documentos e depoimentos. A "Folha de S.Paulo", segundo o ministro, afirma que a Polícia Federal está convencida de que ele sabia da operação de socorro aos bancos, na época em que foi realizada. Malan relata ainda que, em entrevistas durante o final de semana, ele definiu as duas reportagens como "uma mentira, uma leviandade e uma irresponsabilidade" que o deixam "indignado".
Malan reafirmou ainda que desafia "quem quer que seja" a fazer uma acareação com ele, com "a coragem e a desfaçatez de dizer, frente a frente" que havia participado de uma reunião com ele, "na qual teriam sido discutidas, negociadas ou aprovadas as operações com os bancos Marka e FonteCindam".

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