Brasília, 2 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse há pouco que há vários dias ele e o presidente do Banco Central, Francisco Lopes, colocarem seus cargos à disposição do presidente Fernando Henrique Cardoso, à luz do clima de incertezas do regime cambial. Nos primeiros dias que se sucederam à mudança, segundo o ministro, houve inquietações e turbulências que são normais em qualquer país que tenha feito mudanças no regime cambial. Ele disse que, na sexta-feira, houve exageros. Mas lembrou que afirmou, então, que aquelas taxas não se sustentariam. Então, ele e o presidente do BC resolveram deixar o presidente da República à vontade para substituí-los. Ele chegou a formalizar o pedido de demissão, como recordou há pouco, mas o presidente não o aceitou e exigiu sua permanência no cargo. Malan concordou porque é funcionário público. No caso do BC, o presidente pediu uma sugestão, e Malan sugeriu o nome de Armínio Fraga, e o presidente vai levar a indicação dele ao Senado.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse há pouco, na entrevista que está concedendo agora, que o novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, "é um dos melhores economistas do Brasil, PhD em Princeton, nos Estados Unidos". Segundo Malan, Fraga "é um dos melhores operadores" e "faz um trabalho admirável". O ministro da Fazenda lembrou que Fraga já tinha concordado em voltar ao Brasil nos próximos 4 meses, com a família, e que o governo já havia decidido "que ele se incorporaria à equipe econômica". O que está sendo feito agora, segundo Malan, "é uma antecipação" da entrada de Fraga no governo.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse há pouco que preferiu não antecipar os nomes dos novos diretores do Banco Central. O assunto, segundo Malan, vai ser objeto de conversação entre Armínio Fraga e Chico Lopes. "Há vagas no BC a serem preenchidas, mas não seria cabível antecipá-las agora", disse. De acordo com o ministro, o nome de Fraga - para ocupar uma assessoria especial da Fazenda enquanto seu nome não é aprovado pelo Senado - já está no Diário Oficial de hoje.
O ministro Pedro Malan, respondendo ao questionamento de um jornalista sobre o fato do investidor George Soros, para quem Armínio Fraga trabalhava, vir criticando a política econômica adotada pelo Brasil, afirmou que futuro presidente do BC desligou-se "totalmente e integralmente" de qualquer atividade profissional, não havendo qualquer relação entre a opinião pessoal de seu antigo empregador e suas próprias opiniões.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou ainda em sua entrevista, que Armínio Fraga, escolhido para substituir Francisco Lopes na Presidência do Banco Central, "tem total afinidade" com a recente decisão do governo de liberar o câmbio "e com a orientação geral da política econômica do governo". Segundo Malan, "o pesar pela saída de Francisco Lopes é compensado pelo ingresso (no governo) de uma pessoa do calibre de Armínio Fraga".

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