Malan e Fraga prometem controle da inflação
Brasília, 08 (AE) - O discurso de posse do novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, não trouxe novidades em relação às declarações dadas na semana, de prioridade ao combate à inflação. Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, tomou a palavra para encerrar a cerimônia, irritado com o teor do extenso discurso do ex-presidente do BC Gustavo Franco. "O tempo, o bom senso e os compromissos nos recomendam que sejamos breves", começou o ministro.
O ministro da Fazenda, previamente preocupado com o discurso de Franco, que mostrou ceticismo em relação ao sucesso da atual política cambial, tomou a palavra para assegurar que "a equipe econômica tem condições de manter a inflação sob controle, assegurar o crescimento do produto e a continuidade do processo de melhoria das condições de vida da população". Para atingir esses objetivos, segundo o ministro, serão usadas políticas econômicas clássicas.
Citando o livro que ganhara de aniversário de uma amiga - "Ficções de Interlúdio", de Fernando Pessoa - , o ministro traçou um paralelo com o atual momento de crise vivido pelo País
como uma "fase de interlúdio e de transição". Neste momento, salientou ele, é indispensável evitar soluções mágicas e ficções
mantendo o rumo das reformas estruturais.
Fraga acentuou que a função do Banco Central é "zelar pelo ambiente macroeconômico estável, garantindo taxa de inflação baixa e pouco variável". Esse ambiente proporcionará as condições reais para o crescimento econômico, que passa pelo aumento da poupança interna, investimento, educação e integração internacional".
O novo presidente do BC atribuiu a crise atual a causas conhecidas: choques externos e decepções na área fiscal, agravadas pela rejeição imposta pelo Congresso à primeira tentativa de criar contribuição previdenciária para os servidores públicos, ativos e inativos, em dezembro passado.
"Juntos (os fatores citados) levaram à percepção que tínhamos uma trajetória de dívida interna não sustentável e um balanço de pagamentos não financiável", disse Fraga.
Balanço - Ele assegurou que a situação do balanço de pagamentos neste ano é tranquilamente financiável, por causa dos investimentos diretos e os financiamentos externos já acertados com o acordo com o FMI e bancos centrais da Europa e Japão.
Uma das tarefas mais delicadas e complexas no atual momento, segundo o presidente do BC, é reconquistar a credibilidade. O Banco Central estará comprometido integralmente com o combate à inflação, que deve ficar dentro do limite de um dígito ao mês, no final deste ano. No ano 2000, o índice inflacionário ficará entre 5% e 10%, caindo para menos de 5% no exercício seguinte, segundo Fraga.
Malan deixou claro que não considera os últimos seis anos perdidos, apesar de Franco ter deixado a questão para posterior análise, relativa ao resultado da mudança da política cambial até agora de efeitos negativos sobre a estabilidade.
"Não é correta a visão de que os últimos seis anos foram perdidos. A política não é a arte do possível. É (a arte) de tornar possível no futuro o que nos parece impossível hoje", disse o ministro, contrapondo-se ao pessimismo do ex-presidente do BC.





