Malan e Fraga encerram road show e arrancam compromisso de banqueiros
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Paulo Sotero 
Londres, 12 (AE) - A equipe econômica completou hoje a apresentação do novo programa de estabilização à comunidade financeira internacional obtendo o compromissos de banqueiros ingleses, franceses e belgas de manter seus créditos interbancários e comerciais ao País pelos próximos seis meses. Na véspera, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, haviam assegurado a continuação das linhas de financiamento junto aos bancos da Alemanha e dos Estados Unidos, que respondem pela maior parcela do total de aproximadamente US$ 28 bilhões (segundo Fraga) ou US$ 23 bilhões (segundo Malan) que os credores privados internacionais tinham com bancos e empresas brasileiras no final do mês passado.
A discrepância sobre o montante dos créditos ficou clara nas entrevistas que o presidente do BC e o ministro da Fazenda deram hoje em Londres e Paris, respectivamente. Seja qual for o montante correto, Malan e Fraga concordam que a preservação desses créditos garante o fechamento do balanço de pagamentos este ano sem sobressaltos. "Nas nossas projeções de balanço de pagamentos estamos trabalhando com níveis inferiores à rolagem total de linhas, e para as outras captações, também", disse Fraga.
As autoridades econômicas calculam que essa informação, combinada com a execução do duro programa fiscal negociado com o Fundo Monetário Internacional, tranquilizará os credores e os levará a restabelecer gradualmente os cerca de US$ 20 bilhões em créditos de curto e médio prazo que deixaram de renovar nos últimos oito meses. A volta desse dinheiro é vital para o financiamento das exportações, das quais depende em grande parte a realização do saldo comercial de US$ 11 bilhões previsto no programa com o FMI.
"O que procuramos mostrar é que se houver um aumento na rolagem, que é o que esperamos, agora com mais confiança depois dessas reuniões, o balanço de pagamentos vai ficar com um colchão de financimento adicional - o que é sempre bom", disse o presidente do BC depois de passar parte do dia reunido com altos executivos de sete grandes bancos britânicos na sede do Banco da Inglaterra.
"Não é um compromisso o que nós buscávamos e o processo é todo voluntário, mas alguns bancos nos comunicaram individualmente a intenção de aumentar as linhas", informou Fraga. "Outros fizeram um comunicado condicional, dizendo que se as coisas continuarem melhorando, eles o farão", acrescentou. "A coisa começa a dar sinais de vida, mas não é algo que eu possa dizer em público porque são decisões de cada instituição e cabe a eles revelar e não a nós".
Amanhã Fraga e o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, que acompanhou o presidente do BC nos encontros com banqueiros em Nova York e Londres, juntam-se a Malan na capital francesa, onde ampliarão a campanha pela reconquista da credibilidade durante a assembléia geral do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. Além de vários contatos individuais ou com grupos de banqueiros, Malan e Fraga devem repetir em público o que disseram nos últimos dias aos banqueiros em reuniões fechadas.
O presidente do BC deverá falar em pelo menos duas conferências paralelas à reunião do BID. E o ministro da Fazenda discutirá o programa brasileiro numa palestra que deverá ter com as presenças do presidente da instituição, o uruguaio Enrique Iglesias, e do diretor-geral do FMI, o francês Michel Camdessus, que é convidado especial à reunião do BID.


