Malan e ACM discutem sobre mínimo em palestra
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domingo, 19 de março de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 20 (AE) - Por causa do salário mínimo, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), discutiram hoje, durante palestra na Associação Comercial da Bahia, em Salvador. O debate foi marcado por críticas, ironias e cobranças entre os dois.
Mas eles trocaram também elogios mútuos. "O tom emocional da discussão sobre o mínimo é o sal da terra, desde que a racionalidade e a maturidade política, prevaleçam", provocou Malan, num ponto da palestra para 218 empresários que pagaram entre 25 e 40 reais pelo café da manhã.
Magalhães, que participava da mesa diretora do evento como convidado e não iria discursar, pediu a palavra, diante das considerações de Malan. Primeiro, ele elogiou o ministro, achando-o fundamental para "o bom êxito do governo". Depois, foi direto: "O mínimo não pode ter um aumento apenas de 14 reais, pois é ofensivo ao povo brasileiro", disse, reafirmando que vai lutar por um salário acima dos 150 reais, "ainda mais que todos os países em torno do Brasil pagam duas, três vezes esse valor". ACM afirmou que não admite o fato de uma categoria de servidores do setor público ganhar 90 vezes mais que outra e desdenhou da tese defendida por Malan, segundo a qual o objetivo de todo esse aperto para manter o real é melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e dar justiça social.
"Ninguém defende direitos humanos com salário de 136 reais", reclamou, afirmando não dizer isso com demagogia, "como muitos do governo insinuam".
Uma outra queixa do senador foi o eterno discurso contra as desigualdades regionais. Ele insistiu na tese de que o governo tem um "paulistério" pela grande participação e influência de políticos paulistas e citou: "O ministro da Educação (Paulo Renato Souza), da Saúde (José Serra), do Desenvolvimento (Alcides Tápias), a Petrobras, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o Banco Central (BC) ligado a São Paulo e assim por diante", disse, pedindo apoio a Malan no sentido de fazer uma reforma tributária não-prejudicial ao Nordeste. "Do contrário, a guerra fiscal será agravada."
ACM lembrou a posição pessoal de apoiar o governo, mas voltou a afirmar não abrir mão de "criticar o errado", rebatendo a comparação sobre estilo político, feito na semana passada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. "É uma pessoa extremamente capaz, mas não concordo com o que diz como ocorreu na semana passada, quando ele afirmou ter estilo semelhante ao do (ex-líder do governo na Câmara) Luís Eduardo (Magalhães); na verdade (o estilo de FHC) parece mais com o meu, contudo, se eu detalhar por quê, vamos ter mais uma briga", disse, provocando risos na platéia.
Apesar do constrangimento, Malan concordou numa réplica, incentivado por ACM e foi irônico: "O senador Antonio Carlos Magalhães tem sido muito generoso com a minha modesta pessoa, transmitirei à minha mãe, todas as observações positivas a respeito", declarou, voltando a explicar porque o governo teme um aumento maior do mínimo. "Cada 5 reais acima dos 145 reais já contemplados no Orçamento representam R$ 1 bilhão de aumento nas despesas do governo e, por essa razão, temos a obrigação de levar isso em conta ao discutir a questão."


