Malan diz ver com simpatia plano dos EUA de reformar FMI Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 15 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje (15) ter visto com "simpatia" as propostas de reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentadas terça-feira pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers.
Malan, que está em Berlim para participar da primeira reunião do Grupo dos 20, ressalvou que esta era apenas uma reação inicial e que só se pronunciará sobre o plano dos Estados Unidos depois de conhecê-lo melhor e conversar com Summers.
O ministro e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, participaram hoje à noite de um jantar inaugural do G-20 no Reichstag.
Summers propôs esta semana, em discurso na London School of Economics, que o FMI refocalize suas atividades nas tarefas de supervisão das economias de seus 182 países membros e de prevenção de crises econômicas e limite o escopo e a duração de suas intervenções financeiras às situações específicas, nas quais os países enfrentam problemas temporários de balanço de pagamentos provocados por fatores fora do controle de seus governos, a despeito de seus esforços para manter bons fundamentos macroeconômicos.
O argumento de Summers é que, diante da primazia que os fluxos privados de capitais assumiram nesta década no financimento dos países em desenvolvimentos, o FMI deve rever e ajustar seu papel de modo a suplementar o dinheiro privado, em lugar de substituí-lo com programas de ajustameto de três anos de duração.
O Brasil é um dos 12 países que tem hoje esses tipo de programa com o FMI, com a diferença de que Brasília não fez uso de todos os recursos que a instituição colocou à sua disposição até agora. A proposta de Summers dominará a reunião do G-20, amanhã.
Nascido da necessidade política de agregar os países em desenvolvimento na busca de caminhos para evitar crises financeiras sistêmicas num mundo globalizado, o G-20 deve ser institucionalizado como um foro de consulta econômica entre países ricos e pobres.
A iniciativa norte-americana de reforma do FMI deve também condicionara o processo de seleção do sucessor do diretor-gerente da instituição, o francês Michel Camdessus, que deixará o posto em fevereiro. Camdessus, que no início da semana criticara o plano norte-americano de reforma do Fundo, dizendo que limitar o papel da organização a condenaria à "irrelevância", aparentemente mudou de opinião.
"Eu concordo com a maioria das propostas (de Summers) e espero que elas sejam postas em prática rapidamente", disse ele
em Paris, ao sair de um encontro com o presidente Jacques Chirac, no Palácio do Eliseu.





