Rio, 30 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje que o problema com a criação de salvaguardas pelo governo argentino às importações (cotas e sobretaxas) "não foi totalmente resolvido". "Foi superado no aspecto que mais nos incomodava", disse. Malan estava se referindo à decisão do presidente argentino, Carlos Menem, de não impor barreiras alfandegárias aos países do Mercosul.
"Os argentinos deixaram claro que as salvaguardas, previstas na Resolução 911, não se aplicam ao Mercosul", afirmou Malan em entrevista na Associação Comercial do Rio de Janeiro, onde fez palestra para um grupo de empresários. Segundo ele, o prazo para a utilização de restrições alfandegárias pelos países do Mercosul expirou em 31 de dezembro de 1994. Malan não esclareceu, porém, qual seria a solução "satisfatória" para o Brasil.
Já os ministros Clóvis Carvalho, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e Pimenta da Veiga, das Comunicações, garantiram que a crise com o governo argentino "foi superada". Segundo Carvalho, o governo tem a certeza de que, em breve, será publicado no boletim oficial da Argentina a "revogação da aplicabilidade da resolução 911 aos países do Mercosul".
"A palavra do presidente da Argentina é uma palavra a ser honrada", afirmou Carvalho. Ele acredita que Menem decidiu revogar as salvaguardas às importações dos países do Mercosul porque percebeu que a medida iria "destruir" o mercado comum, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. "Esse é um palpite", disse Carvalho, depois de participar, ao lado de Malan e Pimenta da Veiga, da posse do novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Andrea Calabi.
Malan disse que os problemas como os debatidos ontem (29) pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, durante jantar no Palácio da Alvorada, costumam acontecer entre países e blocos econômicos. "Eles não devem ser elevados à categoria da crise política", afirmou Malan. Na avaliação do ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, em um programa tão ambicioso quanto o do Mercosul é "inevitável haver dificuldades e problemas". "Não podemos achar que um programa da envergadura do Mercosul transcorra sem problemas", disse Pratini.
O ministro da Agricultura lembrou que a Argentina vive um momento comercial muito difícil. "O país foi muito afetado pela queda do preço das commodities, já que 70% de sua pauta de exportação é de produtos primários", disse Pratini, acrescentando que o principal parceiro do Brasil no Mercosul também sofreu o impacto das desvalorizações do real e do euro. Para o ministro, com a decisão do presidente Menem apontando para a eliminação das salvaguardas para o Brasil, as "relações entre os dois países voltaram ao normal".

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