Rio, 27 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, garantiu hoje que o Brasil está virando o jogo e superando as turbulências provocadas pelas crises asiática e russa. Ele reafirmou a capacidade do País em obter taxas de crescimento em torno de 4% ao ano até 2002 e lembrou os avanços na área fiscal. "Vamos cumprir este trimestre pela sexta vez consecutiva a meta fixada pelo governo em 1998, um mês antes das eleições presidenciais. O Brasil foi capaz de lidar com essas turbulências e se sair bem", afirmou Malan, durante seu discurso na cerimônia de posse do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), José Luiz Osório.
Ele lembrou do clima de pânico, que chegou até os países industrializados, com a falência do fundo americano Long Term Capital Management, em setembro de 1998.
Segundo o ministro, essas crises desencadearam uma revisão do conceito de risco no mercado internacional e tiveram reflexos nas discussões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Malan ressaltou ainda que o Brasil precisa recuperar sua credibilidade interna, mais do que buscar a confiança dos investidores internacionais. "Quando não há uma mudança de percepção aqui dentro, as expectativas positivas do exterior são passageiras", advertiu. O importante, em sua avaliação, é o fim da postura derrotista e do sentimento de baixa estima que ainda ronda o País.
Em seu discurso, o ministro defendeu a importância de se rediscutir o gasto social no País. Segundo ele, o volume de recursos destinado é grande, mas não beneficia aos realmente pobres. "Precisamos lidar com essa chaga, sem isso não chegaremos a lugar nenhum."
Fusão - Malan classificou como histórica a fusão das bolsas do Rio e de São Paulo. "É um enorme passo no desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil", afirmou. Além da importância econômica, destaca, a fusão refletiu um amadurecimento do mercado brasileiro, que conseguiu superar uma divergência de longo prazo. A expectativa do governo é que integração das bolsas aumente os negócios no Brasil e também no Mercosul.
O ministro ressaltou ainda que o desenvolvimento do mercado de capitais é fundamental para um crescimento econômico sustentável e aumento da poupança interna. Segundo ele, o desenvolvimento depende de três tipos de poupança: a externa, a pública e os mecanismos que permitam à poupança privada financiar o investimento no médio e longo prazos. Para isso, ressaltou, é fundamental o papel de instituições como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

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