Rio, 13 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou hoje que "nunca" defendeu inflação zero, mas inflação estável com crescimento sustentado como política econômica para o Brasil. Malan, que abriu seminário sobre as relações entre a Imprensa e o mercado financeiro, no auditório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio, afirmou que "em qualquer país sério e responsável" a hipótese de produzir inflação para conseguir aquecimento da economia não é mais discutida.
As declarações foram dadas quando o ministro foi informado de teses de economistas críticos do governo defendidas na semana passada, em seminário na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Durante o seminário, promovido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Malan disse que a Imprensa devia escapar do "rotulismo fácil" e do "maniqueísmo" ao identificar grupos envolvidos em uma discussão - o que soou como referência velada à divulgação da divisão, no governo Fernando Henrique Cardoso, entre desenvolvimentistas e partidários da estabilidade econômica. Na saída do seminário, o ministro afirmou que "não é verdadeiro" o argumento de que o desemprego no Brasil está aumentando. Ele lembrou que as taxas de desemprego medidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre maio e julho deste ano foram menores do que as registradas no ano passado. "É algo que ainda nos preocupa, mas estamos trabalhando para reduzi-la", afirmou.
Relatório do FMI - O ministro foi sucinto ao comentar o relatório divulgado ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê crescimento econômico no Brasil a partir do próximo ano. "Isso é algo que já vínhamos dizendo há muito tempo", lembrou o ministro. Ele também não quis comentar declarações do presidente do BNDES neste fim de semana, de que o banco deve atuar para reverter a desnacionalização da economia brasileira. "Não tive tempo de ler os jornais", argumentou.

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