Brasília - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje, em entrevista à "Rede TV", que não há nenhuma razão para temer que a inflação fuja do controle. Ele considerou extremamente positivo o fato de 75% dos entrevistados na pesquisa CNT-Vox-Populi terem manifestado preocupação com a volta da inflação. "Tirando o período do real, a última vez que nós estivemos neste País discutindo se a inflação era 7%, 8%, ou 8,5%, foi mais de 40 anos atrás", lembrou.
Malan disse que a indexação de preços e salários deve ser evitada. "Se há uma lição que eu gostaria que nós, brasileiros, tivéssemos aprendido na nossa lamentável experiência de duas, três décadas de inflação, é que a tentativa de fazer salários correrem atrás dos preços é fadada ao insucesso", comentou. Ele explicou que a indexação procura proteger os salários da inflação mas, na verdade, ela acaba provocando mais pressão inflacionária. Nessa corrida, os salários acabam perdendo.
Malan garantiu que não estão previstos novos aumentos nos preços dos combustíveis ainda neste ano. Para o próximo ano, tudo vai depender, segundo o ministro, da evolução do preço internacional do petróleo e do câmbio. Ele disse também que o governo vai respeitar os contratos com as concessionárias que assumiram os serviços públicos, no que se refere às tarifas. "Nós não vamos utilizar tentativas de manipulação de preços de tarifas públicas. Os contratos serão respeitados", garantiu.
O ministro da Fazenda defendeu a redução da alíquota da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) e sua cobrança permanente. "O problema da CPMF é essa alíquota, que eu acho excessivamente elevada nos níveis em que está", admitiu. " Eu acho que é possível imaginar um equivalente que tenha uma alíquota extremamente reduzida - que poderia até ser fixa, para não haver tentação de novos governos estarem aumentando continuamente - e que possa ser compensada com outros tributos federais", afirmou.
Candidatura - Malan afirmou, ainda, que não tem vocação para a presidência da República. "Eu acho que essas coisas, esses sonhos, exigem uma certa vocação, uma certa ambição, uma certa paixão, engenho e arte", disse. "E, como, se tudo isso não bastasse, precisa de voto também; então eu acho que não tenho essa vocação...", afirmou o ministro. Para ele, o cargo de ministro da Fazenda exige uma certa capacidade de se relacionar com o Congresso Nacional, o Judiciário e com a opinião pública. "Mas isso não significa que carreiras políticas sejam forjadas nesse trabalho, que faz parte dos ossos de ofício de um ministro da Fazenda", afirmou.

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