Salvador, 20 (AE) - Um reajuste em torno de R$ 40 no salário mínimo pode provocar aumento de impostos e cortes em programas do governo para que as contas sejam equilibradas. Foi o que disse hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan, durante café da manhã com 218 empresários e convidados na Associação Comercial da Bahia. "Os R$ 40 que estão propondo (o mínimo iria para R$ 176, o equivalente a US$ 100) representaria um aumento de R$ 8 bilhões nas despesas do governo e isso tem de sair de algum lugar: impostos, contribuições, aumento de dívida, cortes em outras áreas", disse.
Esse efeito achado nas contas do governo (pelo qual cada R$ 5 acima dos R$ 145 previstos no Orçamento representam R$ 1 bilhão a mais nas despesas) é a soma dos reajustes no seguro-desemprego, abono salarial e a folha salarial do funcionalismo. "Além disso, há o reflexo nos estados e municípios sem condições de pagar um aumento grande e a possibilidade de um crescimento da inflação", disse, explicando que a inflação seria pressionada pela expectativa do mercado diante da percepção de que o governo teria dificuldade de lidar "com uma situação fiscal mais ampla".
Malan pediu cabeça fria para discutir o assunto e acabou provocando o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), presente ao evento e defensor de um mínimo equivalente a US$ 100. Ele cobrou "maturidade política e racionalidade" às pessoas, como o senador, que defendem um aumento maior que o previsto no orçamento. Magalhães respondeu que iria lutar por um salário acima de R$ 150.
Outra preocupação manifestada pelos empresários foi com relação às taxas de juros. Malan pediu paciência aos que cobraram do governo uma queda mais rápida nas taxas de juros, diante das expectativas de baixa da inflação. "Se os juros caíssem muito rápido teria o problema da credibilidade, o que poderia por tudo a perder, portanto só posso dizer que a tendência da taxa é declinante", disse.
Segundo Malan, os juros estão muito altos no Brasil porque o governo ainda não conseguiu convencer o mercado de que conseguiu "equacionar, de forma definitiva e duradoura", o regime fiscal. Ele destacou o bom desempenho da economia brasileira no ano passado, quando havia "um signo de turbulência", com previsões de um Produto Interno Bruto (PIB) com crescimento negativo de 4%, inflação em torno de 40% e desemprego de 12%. "A economia reagiu: fechamos o ano com uma inflação de 8%, e estamos prevendo 6% para 2000 e 4% para 2001"
comemorou o ministro, afirmando que apesar dos números positivos não se deixa levar pela euforia. "Não se pode relaxar nesse embate dos problemas brasileiros."
Diante de ACM, do governador César Borges (PFL), de 218 empresários e parlamentares que foram assistir à sua palestra, Malan elogiou a política de atração de investimentos promovida pela Bahia sem se referir à guerra fiscal, mas acredita que a comissão tripartite que estuda a reforma tributária consiga chegar a um entendimento para a criação de uma regra única para a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), ponto principal de discórdia entre os estados.

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