Brasília, 06 (AE) - As taxas de juros reais estarão abaixo de 10% até o final do ano, segundo informou hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan, em entrevista à rádio CBN. "Eu já disse de público, mais de uma vez, que está dentro das nossas possibilidades termos taxas de juros reais de um dígito - vale dizer, inferior a 10% - antes de terminar o ano de 1999", afirmou. Até meados de abril, a equipe econômica trabalhava com taxas reais de 10% a 12% nos últimos meses de 99.
"As taxas de juros nominais caíram 13 pontos percentuais em dois meses e continuam com clara indicação de baixa refletida nos mercados de juros futuros", observou. Ele negou, porém, que um novo ritmo na redução das taxas tenha sido discutido ontem, durante jantar do presidente Fernando Henrique com toda a nova diretoria do Banco Central, ao qual também compareceu. "Esse tipo de assunto não é tratado em reuniões desse tamanho", lembrou.
A melhoria no quadro econômico não ocorre somente com relação às taxas de juros, mas também nas estimativas de inflação. Malan considerou positivo o fato de bancos e consultorias estarem revendo para baixo suas projeções de inflação para 99. Ele lembrou que, em janeiro, estimava-se taxas anuais de até 80% para este ano. "Dissemos desde o início que aquilo era ridículo, não se concretizaria", disse Malan.
A projeção do governo era de 10% a 12% para a inflação medida pelos índices de preço ao consumidor, e na casa dos 15% para os índices que captam também os preços no atacado - onde o impacto da desvalorização foi mais forte. "Acho que essas revisões são positivas e mostram uma coisa da maior importância: a maioria da população brasileira não deseja o retorno do descalabro inflacionário", comentou. A queda nos juros e da inflação mostram que o Brasil está se recuperando "mais rápido do que muitos imaginavam", disse o ministro.

mockup