Malan diz que inflação será de 0,6% para últimos 3 meses do ano
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 22 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje que o governo está trabalhando com uma inflação mensal de 0 6% para os últimos três meses do ano e a taxa anualizada para frente, com base nesta previsão, é de que a inflação ficará em 6%. Malan não quis fazer projeções para a inflação acumulada de 1999. "Não é relevante", justificou. Ele desmentiu a informação veiculada em uma agência de notícias, de que teria feito uma previsão de 12% de inflação para 1999, durante almoço hoje com cerca de 100 empresários que participavam do Fórum Empresarial Mercosul-União Européia no Rio.
Malan lembrou que inflação não é meta em nenhum programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI), quando perguntado sobre a possibilidade de o Governo estar trabalhando com uma meta de 16,9% de inflação para este ano. Ele disse que o governo trabalha com cenários e faixas de variação possível de algumas variáveis econômicas, incluindo a de 16,9%. Ele disse que não é nenhum critério ou meta indicativa. "Estamos fazendo exercícios de consistência macroeconômica", lembrou.
O ministro lembrou o "flagrante exagero" no momento inicial da variação do dólar, que provocou pressões "altistas" sobre produtos importados e outros que utilizam matérias-primas importadas. Mas destacou que este é um efeito transitório e que o importante é o compromisso firme do governo de não permitir a volta do "descalabro inflacionário" que marcou o Brasil nas últimas duas décadas. Malan disse que o governo estuda vários cenários, também, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Ele não quis falar de um número preciso.
O governo, segundo Malan, usará vários instrumentos para conter um movimento de alta dos preços. Ele citou que é possível a redução de alíquotas de alguns produtos importados, mas disse que seria especulação falar de números ou de uma lista de produtos. Para o ministro, existem ainda instrumentos de política fiscal e monetária e de garantia da competição que podem ser adotados para conter os reajustes. Ele destacou ainda que acredita que o consumidor brasileiro adquiriu a capacidade de analisar o valor relativo dos produtos e não aceitará ajustes exagerados.
Sobre a utilização do dólar como moeda corrente na Argentina, o ministro disse que ainda não entendeu muito bem a proposta discutida, mas disse não acreditar que a idéia seja trocar a moeda argentina pelo dólar, o que somente foi feito por outros dois países no mundo, que são o Panamá e a Libéria. Ele garantiu que o Brasil não pensa também em adotar o dólar e disse que o que poderia ser pensado é uma moeda única no longo prazo. Ele fez questão de ressaltar que este é um assunto para algum momento no futuro, "anos e anos à frente.
Para o ministro, é possível pensar em trabalhar uma paridade entre as respectivas moedas dos parceiros do Mercosul e definir uma moeda única. Segundo Malan, este seria o sentido correto de avaliar uma moeda única no bloco econômico.
Sobre o episódio que envolveu o presidente indicado do BC, Armínio Fraga, e o economista norte-americano Paul Krugman, Malan disse que o assunto já está superado, mas lembrou que Krugman teve coragem de penitenciar-se publicamente. Para o ministro, as satisfações já foram dadas.
Ao ser perguntado se o pior já teria passado, Malan afirmou que os próximos meses vão ser de "incertezas, turbulências e dificuldades". Mas o ministro ressaltou que este será o momento de reafirmar a serenidade. Para ele, o importante é contemplar um horizonte além dos próximos dois a quatro meses, enxergando a partir do ano 2000.


