Brasília, 10 (AE) - Críticas ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza feitas pelo representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Brasil, Lorenzo Perez, renderam hoje uma dura resposta do ministro da Fazenda, Pedro Malan. Em nota à imprensa, ele afirma que as observações de Perez "refletem, certamente, um desconhecimento em relação à natureza da proposta, sua importância e alcance" e que "a alocação de recursos orçamentários não é e nunca foi tema de discussão com o Fundo Monetário Internacional." A nota acrescenta, ainda, que "sequer está no âmbito da competência da instituição opinar a esse respeito (alocação de gastos do governo brasileiro)."
Em entrevista à agência Dow Jones, Perez teria dito estar preocupado com a proposta, que poderia atrapalhar os esforços do País em reduzir a dívida. Segundo o despacho da agência, ele teria comentado que o Brasil precisaria aprofundar e melhorar suas políticas de combate à pobreza. Ele teria lembrado, ainda, que o Brasil já faz investimentos significativos na área social, sendo necessário aumentar a eficiência do gasto.
"Eu preferiria ver o governo trabalhando nessa frente, dado que o uso dos recursos destinados ao programa contra a pobreza abre um precedente que poderá tornar-se perigoso no futuro", afirmou, segundo a Dow Jones. "O princípio de usar a receita das privatizações para cancelar dívida pode ser prejudicado; o perigo é que, no futuro, possa-se querer usar essas receitas da privatização para propósitos diferentes." A nota afirma, ainda, que o Ministério da Fazenda "está seguro de que a proposta do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, em exame no Congresso Nacional, em nada conflita com os objetivos macroeconômicos do País."
Perez ficou sabendo do teor da nota de Malan quando foi procurado pela Agência Estado para respondê-la. "Eu respeito a declaração do Ministério da Fazenda", afirmou. No entanto, preferiu não comentar a nota. "Parte do que está acontecendo se deve ao fato de eu ter feito comentários sobre o fundo antes de ter conversado com o Ministério da Fazenda", disse ele.

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