Washingon, 26 (AE) - Antes do incidente que resultou na prisão do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, durante sessão da CPI dos Bancos, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, empenharam-se hoje em mostrar tranquilidade em relação à CPI dos bancos e seu possível impacto. Supreendido pela informação, Malan calou-se.
Pela manhã, Fraga procurou mostrar-se despreocupado com a CPI. Respondendo a uma pergunta depois de uma palestra na Câmara de Comércio dos EUA, o presidente do BC afirmou que encarava a CPI com naturalidade e previu que ela não afetaria a tramitação das propostas de reforma econômica que estão no Congresso mesmo que durasse um par de meses.
"Eu encaro com serenidade os trabalhos da CPI do Senado e acho que é importante que eles se desenvolvam", reforçou Malan, horas mais tarde, falando numa entrevista coletiva, que aconteceu no momento em que Lopes deveria ter começado a prestar seu depoimento em Brasília. "Não temos nenhum problema em dar as explicações que nos sejam demandadas."
Malan afirmou que acha a CPI "parte do funcionamento de uma sociedade democrática" e recorreu ao exemplo dos Estados Unidos
onde as investigações pela Câmara e o Senado são comuns. "Quem vive aqui sabe que são corriqueiros esses depoimentos no Congresso americano."
O ministro lembrou que foi perguntado logo no início, quando foi instalada a CPI, se tinha preocupações que aquilo (a CPI) pudesse atrasar ou dificultar o encaminhamento da agenda legislativa e as relações do executivo com o legislativo. "Eu disse que, em princípio, não havia motivo para isso, mas que dependeria da maneira como fossem conduzidas as investigações e os trabalhos da comissão", disse ele. E acrescentou: "Não há nada que tenha ocorrido desde então que me tenha feito alterar esse julgamento."
Malan disse acreditar que a CPI "vai resultar em mais transparência para a sociedade, e é próprio que seja assim numa sociedade democrática, e eu espero que no processo seja possível caminhar para a busca de propostas construtivas (...) quando for o caso, por exemplo, de determinadas alterações, que permitam reduzir ou melhorar a eficiência do governo como um todo e de suas várias instituições, inclusive o Banco Central".
O ministro concluiu dizendo que "vai depender de como as coisas se desenvolvam, mas é importante olhar para isso (a CPI) com serenidade, como parte do funcionamento da democracia, e do relacionamento entre executivo e legislativo".
Antes de embarcar para Washington o ministro da Fazenda encaminhara ao senador João Roberto Arruda (PSDB-DF) um relato das respostas públicas que dera até agora sobre a saída de Lopes da presidência do Banco Central. No texto de duas páginas, Malan recordou o depoimento que deu perante a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, no dia 24 de março. Na ocasião, o ministro disse que era amigo "de longa data" de Lopes, o considerava "um dos grandes economistas brasileiros" e fora responsável por sua ida ao governo. Segundo assessores, Malan ficou surpreso e perplexo com as alegações de possíveis irregularidades feitas contra o ex-presidente do BC. Os mesmos assessores evitaram descrever hoje a reação do chefe da equipe econômica à notícia da prisão de Lopes.

mockup