Brasília, 02 (AE) - Em conversas separadas hoje com as bancadas do PFL, do PPB e do PTB na Câmara, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que o ajuste das contas públicas exigirá "um pequeno esforço adicional de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1999". Malan afirmou que não concorda com o aumento de tributos e que o ajuste adicional terá de ser feito pela redução das despesas, pela melhoria da arrecadação e do gasto público. Na opinião do ministro, o imposto seletivo sobre os combustíveis, o chamado imposto verde, deve ser discutido dentro da reforma tributária e não seria oportuno votá-lo agora.
O deputado Eduardo Paes (PFl-RJ), que participou do encontro com o ministro da Fazenda, disse que Malan não descartou a possibilidade de privatização do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF).
Esta interpretação, segundo ele, pode ser feita a partir da declaração do ministro de que a comissão de técnicos que analisa a situação dos bancos federais, entre eles o BB e a CEF, poderá chegar à mesma conclusão adotada para o caso do Banco Meridional, que foi privatizado no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. No caso do Meridional, o governo primeiro saneou a instituição e, depois, privatizou-a.
Sobre a Petrobras, ainda segundo o relato de Paes, o ministro da Fazenda disse que a estatal deveria continuar fazendo joint-venture para se tornar mais competitiva e o Brasil se tornar autosuficiente na produção de petróleo. O porta-voz-adjunto do Palácio do Planalto, George Lamazire, disse hoje que não comentaria as declarações do ministro da Fazenda sobre a possibilidade de privatização do BB e da CEF.
Em dezembro, Malan anunciou que o setor público obteria um superávit primário (receitas menos despesas, fora os gastos com juros) equivalente a 2,6% do PIB este ano. Essa meta indicativa constou do acordo de socorro financeiro fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com a revisão do acordo com o FMI, provocado pela desvalorização do real, o ministro da Fazenda chegou a dizer que o superávit primário seria elevado para de 3% a 3,5% do PIB. Hoje, aos políticos da base aliada no Congresso, Malan revelou que o esforço adicional será de 0,5% do PIB, o que levaria a meta do superávit primário para 3,1% do PIB.
Segundo o deputado Fetter Júnior (PTB-RS), Malan disse ainda que a conclusão do acordo com o FMI estaria condicionada à aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), pois a medida significaria o fechamento do ajuste fiscal anunciado pelo governo em 1998, por meio do Programa de Estabilidade Fiscal.
Justamente para defender a aprovação do imposto dos cheques, Malan conversou hoje, demoradamente, com as bancadas do PFL, do PTB e do PPB.
Até mesmo o deputado Delfim Netto (PPB-SP), que votou duas vezes contra a prorrogação da CPMF, anunciou hoje a disposição de aprovar o imposto dos cheques. Amanhã (03), Malan terá encontro com o PMDB e o PSDB para conversar sobre a necessidade de aprovação da CPMF, que será votada em comissão especial quinta-feira (04).

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