Brasília, 09 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, atendeu os apelos do governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), e liberou hoje recursos do Estado, no valor de R$ 22 milhões, que foram bloqueados por atraso no pagamento de parcelas da dívida alagoana com a União.
A decisão foi comunicada à Lessa, após uma tarde inteira de negociações, e foi a primeira vitória dos governadores de oposição depois da retomada do entendimento com o governo federal, hoje pela manhã.
No início da noite, Lessa declarou-se "muito feliz" e elogiou o "gesto de boa vontade" do governo federal, uma vez que o desbloqueio dos recursos aconteceu antes de se realizar a operação de transferência de créditos da Companhia de Habitação (Cohab) alagoana para a Caixa Econômica Federal (CEF).
Segundo o governador, "o importante é que o clamor de Alagoas foi correspondido" pelo governo federal. Lessa disse que, graças ao desbloqueio dos recursos alagoanos, terá condições, quinta-feira (11), de pagar o salário do funcionalismo público.
Antes da decisão da Fazenda, Lessa conseguira vitória no Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe concedeu liminar restringindo as margens de retaliação por parte da União, no caso de inadimplência.
O governador contou que a CEF confirmou ao ministro da Fazenda que o valor da carteira imobiliária da Cohab de Alagoas garantia o pagamento das parcelas atrasadas da dívida. Era a resposta que faltava para tornar viável a negociação.
Hoje mesmo, Lessa assinou um documento autorizando a venda da carteira da Cohab à CEF, o que será feito posteriormente. As estimativas, segundo o governador, indicam que essa carteira vale cerca de R$ 106 milhões, mas haverá um deságio, ainda a ser negociado.
Animado com o desenrolar dos entendimentos, ele avisou que não permitirá a privatização da empresa de água de Alagoas (Ceal).
Durante encontro com parlamentares na Câmara dos Deputados, o governador afirmou que venderá a investidores privados apenas 49% das ações da estatal e manterá o controle da empresa nas mãos do Estado.
Ele protestou também contra a proposta do governo de privatizar a Chesf e defendeu o ingresso de investidores apenas como acionistas minoritários.

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