Malan defende posição de equipe econômica sobre mínimo
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Adriana Fernandes, Liliana Lavoratti e Renato Andrade 
Brasília, 22 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, defendeu hoje a posição da equipe econômica na discussão do reajuste do salário mínimo. Na comissão especial da Câmara, Malan repetiu que o governo não assinará um decreto para resolver as questões sociais do País e foi ríspido com os deputados.
O deputado Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP), autor da proposta do mínimo de US$ 100, ouviu uma resposta irritada do ministro, após o acusar de ter ido à comissão defender o rebaixamento do salário. "O sr. colocou palavras na minha boca: isso é uma maldade e uma inverdade", disse Malan. Ele afirmou que essa discussão é "política com P maiúsculo", mas advertiu para a importância dos aspectos econômicos e fiscais envolvidos.
"Aqueles que se dizem preocupados com a pobreza e as condições dos trabalhadores deveriam perceber que não se aumenta o valor do mínimo real por meio de decreto", afirmou. "Se fosse dessa forma, bastaria uma canetada presidencial para que todos os problemas sociais do País fossem resolvidos."
Apesar de considerar "óbvia" a dimensão social embutida na discussão, ele voltou a afirmar que as soluções para as carências sociais devem ser acompanhadas da busca de fontes de financiamento. "Só existem três formas de financiar esse tipo de demanda: aumentando impostos ou a dívida pública, ou retomando a inflação."
Em tom enfático, Malan afirmou ser "absolutamente contra a discussão dolarizada do mínimo". Ele argumentou que o governo fez um enorme esforço no passado recente para evitar a dolarização da economia. "Não faz sentido a indexação do salário mínimo ao dólar, pois temos uma taxa de câmbio flutuante."
Malan rebateu com veemência as críticas dos deputados de que o governo divulga dados divergentes e contraditórios sobre o impacto do reajuste nas contas públicas. Disse que vários ministérios fizeram estudos sobre o mínimo e "tudo em Brasília vaza e vira oficial". Segundo ele, só são oficiais os dados apresentados hoje à comissão.


