Rio, 08 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou hoje que os trabalhadores sem-terra que pediram a saída do presidente Fernando Henrique Cardoso, em manifestação ontem, em Brasília, "têm dificuldade de convivência com o regime democrático". Segundo Malan, os socialistas franceses e os trabalhistas ingleses, por exemplo, prepararam-se durante muito tempo antes de se apresentarem à população como "alternativa de poder". E afirmou que o governo não gasta pouco na área social, "gasta mal".
"Há questões no mundo que não são mais de direita ou de esquerda", continuou. Como exemplos, citou a inflação sob controle e a austeridade fiscal. "O que se discute nos países maduros é o peso dos gastos". Durante palestra em seminário promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio, o ministro afirmou que o governo não gasta pouco na área social, "mas gasta mal". As estatísticas divulgadas por Malan mostram que os gastos com o social chegam a 20,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
"Mas o Brasil não focaliza nos mais pobres", declarou. "Os benefícios a setores das classes média e média alta competem com os recursos aos pobres". Ele defendeu mais uma vez a estabilidade econômica, com o argumento de que a inflação é o imposto "mais perverso e paradoxal" que pode incidir sobre o povo. E afirmou que "o rodar da maquininha" é uma alternativa pior do que o aumento da dívida ou dos impostos.
"Não há solução mágica para a concentração de renda", disse. "É um legado do passado, desde as capitanias hereditárias". Para Malan, "emergir do subdesenvolvimento" demanda tempo. O ministro ainda criticou soluções de curto prazo
como destinar 3% a 4% do PIB para acabar rapidamente com a pobreza.

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