Malan consegue entrar em reunião do FMI após 7 horas
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sábado, 15 de abril de 2000
Por Rita Tavares 
Washington, 16 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan
foi uma das poucas autoridades que sofreu na pele com a manifestação. Ele chegou atrasado quase sete horas à reunião e só conseguiu atravessar o cordão de isolamento na terceira tentativa. Às 7h30, acompanhado do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, ele tentou pela primeira vez, mas só furou o bloqueio às 14h30, quando, sozinho, entrou no prédio do Fundo Monetário Internacional, para a reunião.
Na primeira tentativa, Malan e Fraga saíram da embaixada do Brasil às 7h30, embora a direção do FMI tivesse recomendado a todas as autoridades que fossem às 5h. Malan disse que considerou o conselho como um excesso de preocupação, além de ter achado o horário muito cedo. A bordo de um carro da embaixada, foram parados a três quarteirões do edifício. Até pensaram em ir a pé, como relatou Malan, mas os tipos mal-encarados que circulavam na ruas os desanimaram, já que eles seriam instantaneamente identificados como autoridades.
Seguiram em direção ao edifício Watergate, famoso por ter sido o cenário inicial do escândalo que levou à renúncia de Richard Nixon, e da onde, saíam micro-ônibus que transportavam autoridades e funcionários do FMI e do Banco Mundial. Instalados num desses ônibus, Malan e Fraga não conseguiram novamente atravessar o bloqueio, porque dezenas de jovens deitaram-se no asfalto a poucos metros da sede do FMI, para impedir o movimento do veículo. Fraga, que tinha marcado um vôo para o Brasil à tarde, desistiu da reunião. Malan ficou sozinho, porque seus dois assessores já estavam no FMI.
Voltando ao Watergate, aonde há um hotel, Malan encontrou com outros companheiros. Lá, estavam os ministros das finanças da França (Laurent Fabious), da Tailândia (Tarrin Nimmhaeminda), de Portugal (Joaquim Pina Moura), da Alemanha (Hans Eichel) e da China (Xiao Gong). Fumando seu cachimbo, Malan caminhava de um lado para outro à espera de uma solução. De vez em quando, o motorista da embaixada, que segurava o celular do ministro, vinha lhe trazer o aparelho. Ofereceu água, mas o ministro agradeceu, dizendo: "Eu tenho tudo o que preciso aqui", indicando o cachimbo.
Às 12h40, Malan e outras dez pessoas, incluindo todos os ministros, com exceção do alemão, foram levadas para uma van que seguiria para o FMI. Ficaram sentados por uma hora e vinte minutos, esperando que a polícia garantisse que o veículo conseguiria furar o bloqueio. Estava quente e, apesar do ar-condicionado, nem água foi oferecida.
Com um bilhete, em resposta a uma pergunta feita por escrito por uma jornalista brasileira, Malan disse o que estava pensando das manifestações: "Protestos pacíficos fazem parte do funcionamento da democracia. Podem ajudar quando se consegue entender o que está propondo os manifestantes". A mesma perplexidade vinha de Fabious que via uma contradição nos protestos que pediam " a morte" de duas instituições que elegaram, como prioridade, o combate à pobreza.
Finalmente, às 14h, o veículo, onde estavam Malan e outros quatro ministros, foi autorizado a sair. Escoltado por vários carros de polícia, o grupo foi levado a uma semi-tour por Washington, já que a opção era um caminho mais longo, para evitar os protestos, passando até mesmo na rua em frente à Casa Branca, que está fechada para o tráfego desde abril de 1995, quando da explosão de uma bomba em um edifício público em Oklahoma. Minutos depois, chegaram ilesos ao FMI.


