Malan condena subsídios agrícolas de países ricos
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Rita Tavares 
Washington, 17 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan
condenou hoje, em discurso ao Banco Mundial, os altos subsídios concedidos pelos países desenvolvidos para a produção agrícola. Os países em desenvolvimento, segundo ele, são prejudicados por esses subsídios porque, além de restringir o acesso aos países desenvolvidos, distorcem os preços nos mercados internacionais, fazendo com que os produtos sejam exportados com preços abaixo dos custos de produção.
"Os agricultores dos países em desenvolvimento não podem competir com os tesouros das nações ricas", disse Malan no discurso que foi entregue, por escrito, ao Banco Mundial, como ocorre, tradicionalmente, durante a reunião do Comitê de Desenvolvimento que reúne 24 países, dentre eles o Brasil. O grupo reuniu-se esta manhã.
O ministro da Fazenda afirmou que é "urgente" uma nova rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio que dê atenção aos interesses e necessidades dos países em desenvolvimento.
Um documento do Banco Mundial, citado no discurso, revela que a liberalização do comércio poderia injetar US$ 40 bilhões nos países em desenvolvimento - praticamente o mesmo valor dos recursos de programas assistencias para esses países. "O protecionismo contribui para manter a pobreza em países em desenvolvimento e aumentar o custo de vida nos países ricos", ponderou o ministro Pedro Malan.
Ainda no discurso, Malan afirmou que enquanto a tarifa para os países desenvolvidos é de cerca de 4%, os países em desenvolimento enfrentam tarifas muito superiores. Documentos do Banco Mundial, citados pelo ministro, mostram tarifas na União Européia de 826% para produtos à base de carne, de 781%, para produtos alimentícios processados, no Japão, e de 147% para frutas, nos Estados Unidos.
Malan ponderou também que, em alguns países desenvolvidos, são crescentes as pressões protecionistas em outros setores econômicos. O ministro não fez referências, mas certamente pensava nas ações movidas nos Estados Unidos contra o aço brasileiro. De acordo com ele, recursos a medidas anti-dumping é "motivo de preocupação". IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1


