Brasília, 10 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, cobrou hoje da Polícia Federal a informação de que ele sabia das operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, conforme publicaram o jornal "Folha de S.Paulo" e revista "IstoÉ". As informações são atribuídas a fontes da Polícia Federal. O ministro enviou ofício ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, pedindo que a PF "confirme ou desminta a acusação que me foi feita pelas duas publicações através de seu informante anônimo"
diz a carta.
"Caso a Polícia Federal confirme oficialmente a sua convição(de que Malan sabia da operação), peço-lhe que a instrua a divulgar imediatamente as evidências e as provas em que se baseia ou se baseou para transmitir à imprensa uma conclusão, divulgada antes mesmo de encerradas as investigações, ou, pior, enquanto depoimentos ainda estavam sendo prestados por funcionários do Banco Central", diz a carta.
Malan justifica que "aparentemente, a base para a convicção expressada com tanta certeza" é o fato de que esteve no Banco Central na manhã do dia 15 de janeiro. O ministro conta que esteve no local, acompanhado pelo então secretário de Política Econômica, Amaury Bier, "discutindo exclusivamente o regime cambial brasileiro e as alternativas para sua modificação, dadas a flagrantes dificuldades de manutenção do sistema que vinha funcionando desde 13 de janeiro".
Em entrevista hoje ao programa "Bom Dia Brasil", da Rede Globo, Malan afirmou que só soube do socorro aos dois bancos "cerca de duas semanas" depois de ocorrida. Questionado sobre se autorizaria a operação, caso fosse comunicado previamente, o ministro não respondeu. "Essa questão é delicada", comentou, acrescentando que é muito fácil julgar os eventos depois de ocorridos.
Malan alegou que estava brincando quando disse que só contaria a verdade sobre a saída de Francisco Lopes do Banco Central em seu livro de memórias, a ser publicado dez anos após sua morte. "Eu me arrependi de haver feito essa brincadeira e lamento que tenha sido usada com o objetivo de mostrar que há coisas tão graves, mas tão graves que só podem ser dadas ao conhecimento público depois da minha morte, e não era essa a minha intenção", declarou.
O ministro disse que o Banco Central tem avanços a fazer para obter mais transparência. Ele comentou o relatório divulgado no final de abril pelo governo americano, sobre as investigações a respeito da falência do Long Term Capital Management (LTCM) em setembro do ano passado. Segundo o ministro
também nos Estados Unidos os reguladores e supervisores bancários foram pegos de surpresa com o grau de alavancagem assumido pelo fundo. O grupo de trabalho que investigou o caso também propôs várias medidas para prevenir novos casos como aquele.
O LTCM, porém, foi socorrido com recursos privados, segundo lembrou o ministro. Um grupo de 14 bancos ligados direta ou indiretamente ao fundo foi convocado a socorrê-lo. "Se não fosse possível convencer essas 14 instituições e forçá-las a fazer a operação que fizeram, eu não tenho dúvida de que o governo americano teria, por considerações de ordem sistêmica, utilizado recursos públicos, sim, na solução do problema", afirmou o ministro. Ele disse que o governo americano gastou US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões para socorrer outras instituições de poupança e empréstimo em dificuldades, como foi o caso do Continental Illinois e do Banco da Nova Inglaterra.

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