Malan busca aproximação em jantar com tucanos
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 02 (AE) - Num demorado jantar na noite de quarta-feira com a executiva nacional do PSDB, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, partiu para o diálogo político na tentativa de recuperar apoio e continuar comandando a economia do País. A iniciativa de Malan foi considerada pelos tucanos como o melhor momento da executiva com o ministro da Fazenda. A avaliação de líderes governistas é de que a postura de Pedro Malan, que nas últimas semanas começou um intenso processo de conversações com os políticos aliados, inicia uma nova fase do comportamento do Executivo com sua base.
Segundo esses mesmos políticos, o ministro da Fazenda conseguiu com esta atitude recuperar o fôlego e sair da fritura política a que estava submetido até bem pouco tempo. "Este é um assunto que está encerrado", avisou o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF).
Dentro da base, a nova postura de Malan foi bem recebida. "O ministro reconheceu que em momentos de dificuldades só é possível governar o País com diálogo", comentou o vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE). "Com a popularidade em baixa, todo mundo está se mexendo, inclusive o chefe e o Malan", avaliou o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), um dos participantes da reunião.
No encontro de quatro horas que aconteceu na residência do presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), Malan ouviu dos parlamentares um desabafo sobre o atual momento político do País e algumas alternativas para retomar o desenvolvimento sem comprometer a estabilidade.
"O partido foi muito firme e claro em suas posições, mas respeitoso", esclareceu o senador Paulo Hartung (PSDB-ES), vice-presidente do partido.
O ministro ressaltou que os indicadores econômicos do Brasil melhoraram do ano passado para cá, mas que por enquanto eles não são percebidos pela população. Pedro Malan falou por cinquenta minutos e pediu prioridade para as reformas tributária e da Previdência, e para a lei de responsabilidade fiscal. Para evitar constrangimentos, o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, não foi ao jantar, numa estratégia da executiva para evitar polêmicas. O primeiro a falar foi o presidente do partido, senador Teotônio Vilela Filho (AL). Abandonando o tradicional estilo conciliador, Teotonio disse que o PSDB estava solidário ao ministro, mas demonstrou preocupação com o rumo que o País estava tomando e com a percepção negativa da população sobre as ações do governo. Mesmo num clima diplomático, Pedro Malan não foi poupado de ouvir uma resposta dos tucanos ao comentário feito por ele de que não iria promover uma "bolha de crescimento". "Ninguém tem a ilusão de pegar atalhos com bolhas de crescimento, já que somos uma geração que sentiu na pele as consequências desta política quando ela foi implantada no Brasil", disse na reunião um integrante da executiva tucana. "Queremos discutir o que está acontecendo", completou.


