São Paulo, 16 (AE) - Cotações de três ativos - dólar, títulos da dívida externa e títulos públicos federais - confirmam que o clima não é de serenidade no mercado e que pode ficar mais tumultuado, dependendo da reação de aliados e opositores ao governo à decisão do ministro da Fazenda, Pedro Malan, de recomendar ao Senado a aprovação de empréstimo de US$ 100 milhões ao Estado de São Paulo, contrariando pareceres do Banco Central e Tesouro Nacional.
Conforme relato do jornalista Ribamar Oliveira no Estadão deste domingo, Malan estaria apenas cumprindo parte do acordo com o governador Mario Covas (PSDB) feito por ocasião da renegociação da dívida do estado. A postura do ministro pode reacender o tiroteio do qual escapou ileso nas últimas semanas, quando lideranças dos partidos aliados ao governo FHC não hesitaram em criticar a política econômica que, segundo eles, estaria inibindo o crescimento.
Paralelamente, os jornais do final de semana destacaram outro ponto de tensão entre Covas e o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), em torno de declarações sobre o "congelamento" de preços dos combustíveis. Está claro que a instabilidade da base de apoio ao Presidente da República não foi superada e que pode ganhar pulso a qualquer momento ou a qualquer declaração descuidada.
Nesta semana, em particular, o tempo esquenta com novos personagens em cena -produtores rurais- que preparam um "caminhonaço" na Esplanada dos Ministérios em protesto contra a política agrícola do governo, que já afirmou que não aceita os termos de renegociação das dívidas do setor aprovado na Comissão de Agricultura da Câmara.

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