Malan anuncia no Senado que 2ª parcela de empréstimo será de US$ 8,6 bi
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Lu Aiko Otta e Soraya de Alencar 
Brasília, 24 (AE) - A segunda parcela do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos países industrializados ao Brasil será de US$ 8,6 bilhões. Foi o que informou hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan, em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A nova versão do acordo será submetida à diretoria-executiva (board) do FMI no próximo dia 30, e o dinheiro será liberado tão logo os novos termos do acordo sejam aprovados.
Segundo Malan, a segunda parcela do empréstimo do FMI será de US$ 4,6 bilhões, enquanto a ajuda dos países industrializados será de cerca de US$ 4 bilhões. "No próximo mês, entrarão mais US$ 8,6 bilhões no País", disse o ministro. Além disso, lembrou ele, o Brasil continua a receber investimentos diretos. "Apesar da crise, eles continuam ingressando em valores perto de US$ 1 bilhão ao mês", comentou. "Isso é fruto de avaliações que estão sendo feitas tendo em vista um horizonte pouco além do curto prazo." Em 98, o País foi o quarto maior receptor de investimentos diretos do mundo. Em 95, havia ocupado a quinta colocação.
O ministro acredita que, gradualmente, o Brasil está recuperando a credibilidade perante o mercado financeiro internacional. "Não será nada dramático ou imediato, mas a percepção e as expectativas sobre o Brasil tem evoluído favoravelmente", informou. Como exemplo da melhora no front externo, Malan citou os resultados do road-show que ele e sua equipe fizeram pelos Estados Unidos, Europa e Japão. Foram reuniões realizadas nas sedes dos bancos centrais de diversos países, com a participação de representantes das instituições financeiras mais expostas no Brasil.
"Conversamos com cerca de 50 investidores estrangeiros", disse. "Explicamos a situação e mostramos que seria fundamental a presença da iniciativa privada." Como resultado, Malan e sua equipe conseguiram o compromisso desses investidores de que manteriam, nos próximos seis meses, o mesmo nível de financiamento ao Brasil registrado no dia 28 de fevereiro.
O ministro alertou, porém, que a crise financeira internacional não está afastada. "Ela ainda estará conosco por algum tempo", afirmou. "Sua superação demandará um esforço de cooperação que envolverá não somente os países desenvolvidos, mas também de países-chave em desenvolvimento, entre eles o Brasil." Segundo o ministro, é necessário prosseguir com o trabalho de corrigir "vulnerabilidades reais ou percebidas" da economia nacional - o que dependerá da implementação das reformas. "Tínhamos e temos ainda muitas questões a resolver", disse.
Malan disse aos senadores que os contratos assinados com o Bank for International Settlements (BIS) - que coordena o empréstimo dos países industrializados - e com o banco central do Japão não sofreram nenhuma alteração. No entanto, o acordo com o FMI precisou ser revisto por causa da mudança na política cambial, que afetou diversos cálculos que integravam o acordo. "A revisão não foi feita por imposição do FMI", afirmou.
O ministro explicou que quatro eventos precipitaram a adoção do câmbio flutuante. O primeiro foi a derrota sofrida pelo governo no Congresso no dia 3 de dezembro passado, quando foi rejeitada a proposta de cobrar contribuição previdenciária de funcionários públicos inativos. "Isso foi lido como um sinal de que teríamos dificuldade em implementar o programa", comentou Malan. O segundo fato foi a percepção de que o governo ficaria três meses sem a receita da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF). Houve, ainda, a decretação de moratória - Malan não especificou que foi Minas Gerais - e, finalmente, a mudança na presidência do Banco Central.


