Brasília, 8 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, deve anunciar hoje ou amanhã as novas bases do acordo de socorro financeiro negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os termos da revisão do acordo terão ainda que ser aprovados pela diretoria do FMI antes que o Brasil possa sacar a segunda parcela de US$ 9,3 bilhões um total de US$ 41,5 bilhões - acertado com o fundo e 20 países reunidos pelo Banco de Compensações Internacional (BIS).
No Ministério da Fazenda tudo está sendo preparado para que a divulgação ocorra no final da manhã com uma entrevista do ministro Pedro Malan. Mas tudo ainda vai depender ainda da revisão do acordo, item por item, o que pode adiar o anúncio para amanhã.
A diretoria do FMI deve aprovar o acordo no final do mês, provavelmente no dia 30, e no início de abril o dinheiro poderá estar à disposição do Brasil. O FMI ainda espera um sinal do gove rno de que vai conduzir o ajuste fiscal e vai esperar a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que está em fase final de votação no Congresso Nacional.
No novo acordo com o FMI, o Brasil se compromete a manter a inflação este ano em no máximo 17%. A inflação anualizada em dezembro não poderá ser maior do que 10%. No ano, a cotação média do dólar deverá ficar em R$ 1,75 e a balança comercial terá que sair de um déficit de US$ 6,4 bilhões em 98 para um superávit de US$ 11 bilhões em 1999.
O acordo prevê também para 1999 uma retração da economia de 3,5%. O ajuste fiscal terá que ser maior até 2001, com um esforço adicional de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1999. O Brasil terá que conseguir este ano um superávit primário do setor público de 3,1% do PIB. Para 2000, a meta de superávit primário é de 3,25% e , em 2001, 3,5% do PIB. O acordo anterior previa superávits crescentes de 2,6% em 1999, 2,8% em 2000 e 3% em 2001. Depois de anunciado o acordo, o governo inicia uma grande ofensiva para conseguir a reabertura das linhas externas de financiamento ao Brasil, fechadas desde o início da crise. A estratégia é mostrar que desta vez o país está no caminho certo rumo a estabilização. O ponto de partida será um road-show que a equipe econômica fará esta semana pelos principais centros financeiros internacionais.
O ministro Pedro Malan estará na quinta-feira em Frankfurt e na sexta em Paris. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, terá reuniões com investidores em Nova York e Londres. O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Caramuru, vai para o Japão. O secretário de Política Econômica, Amaury Bier, que coordenou as negociações com o FMI, estará com Armínio em Nova York e depois vai para a Espanha. Os encontros com os investidores serão fechados. Por iss o, a idéia é que todos se encontrem em Paris, nos dias 15 e 16 de março, na reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para uma grande apresentação pública sobre o acordo com o fundo.

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