Brasília, 25 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, admitiu há pouco, durante audiência pública conjunta de quatro comissões técnicas da Câmara, que o Brasil enfrentará dificuldades nos próximos meses, mas que será uma fase transitória. Segundo Malan, os próximos meses serão difíceis, com recessão e com desemprego. Ele rebateu críticas do deputado Aloísio Mercadante (PT-SP), que iniciou suas perguntas fazendo uma análise do quadro da economia brasileira do fim do governo Itamar Franco e início do governo Fernando Henrique, na virada em 1994 para 1995, quando o Brasil apresentava um superávit comercial de US$ 10,4 bilhões e a dívida interna era 400% inferior à atual.
O ministro disse que era preciso lembrar que, naquela época, a economia era um caos, a taxa de inflação era de 2.700% ao ano e que, se não fosse o lançamento do Real, o Brasil teria enfrentado uma hiperinflação de 5.000% a 7.000% ao ano e que, mesmo que o PT tivesse ganho as eleições, ele seria obrigado a fazer um choque na economia no dia 1º de janeiro de 1995.
Segundo Malan, o Brasil era visto como "um país drogado
bêbado pela droga da inflação", e que é preciso ter muito cuidado para não achar que vivíamos no melhor dos mundos e que com o Real a economia foi para o brejo. Ele disse que o superávit comercial que o País tinha não era sustentado e enfatizou que não se sai de uma situação de hiperinflação sem custos. "Vivíamos a crônica de uma colisão pré-anunciada", afirmou. Segundo o ministro da Fazenda, o processo de reforma estrutural do País não se faz sem custos. Ele disse que a dívida pública cresceu também porque o governo teve que reconhecer esqueletos (dívidas não reconhecidas).

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