Malan admite abrir mão de US$ 2,4 bi da ajuda internacional
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segunda-feira, 11 de outubro de 1999
Por Beatriz Abreu 
Brasília, 11 (AE) - O Brasil poderá abrir mão do saque de US$ 2,4 bilhões, referente à quarta parcela do empréstimo de US$ 41,5 bilhões obtido no ano passado junto aos organismos multilaterais de crédito e ao BIS. O País já havia aberto mão da terceira parcela, também de US$ 2,4 bilhões, e agora está analisando se vai ou não abrir mão do total de US$ 4,8 bilhões disponíveis para saque.
A informação de que o dinheiro não será necessário chegou a ser confirmada hoje pelo Banco Central, que voltou atrás após entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Malan disse que o governo "ainda está analisando o assunto". "Trata-se de um empréstimo que tem custos e estamos avaliando a necessidade de sacá-lo ou não", comentou.
Em entrevista à AGÊNCIA ESTADO, Malan deu indicações de que o País está numa posição "confortável". Ele lembrou que o Brasil já iniciou o pagamento do empréstimo obtido no ano passado junto à comunidade financeira internacional.
Segundo o ministro, o governo definiu uma trajetória para o financiamento do balanço de pagamentos em 2000 e 2001. Indica, segundo ele, que o financiamento das contas externas não representa um impeditivo ao ajuste da economia brasileira.
"Todas as projeções de balanço de pagamento indicam uma situação mais confortável", disse o ministro. "O déficit em transações correntes será 100% financiado com investimentos diretos."
Dificuldades - Entre as principais dificuldades já superadas ele citou o aumento superior a 120% dos preços do petróleo, a queda nos preços das commodities e as dificuldades enfrentadas pelos países latinoamericanos. Mas, segundo ele, as contas do balanço de pagamentos já refletem o efeito da desvalorização cambial nas contas do balanço de pagamentos, por exemplo, nas viagens internacionais.
Em relação ao comportamento da balança comercial, Malan disse que o País está saindo de uma situação de déficit de US$ 6 5 bilhões no ano passado para um "pequeno déficit este ano".
"Ao que tudo indica, dentro do prazo mais dilatado podemos dizer que em 2000 e 2001 estaremos convivendo com uma situação de estabilidade no balanço de pagamentos", disse. Ele lembrou que no ano que vem as despesas com amortizações serão US$ 20 bilhões inferiores e o País terá uma melhora na balança comercial.
Ele disse que em setembro o governo cumpriu, pelo quarto trimestre consecutivo, as metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Pelo quinto trimestre consecutivo as metas serão atingidas", disse.


