São Paulo, 29 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, acredita que há espaço para uma significativa redução das taxas de juros reais e nominais este ano, porque não há necessidade de embutir expectativas de desvalorização nessas taxas. Ao discursar para cerca de 500 representantes do setor financeiro, o ministro frisou sua confiança em uma "redução expressiva" dos juros, o que seria a razão pela qual o governo mantém inalteradas as metas de superávit primário para este ano.
De acordo com o ministro, após esse repique da inflação nos primeiros meses do ano, a taxa de inflação deve cair, chegando a 0,5% ao mês no último trimestre deste ano, resultando em uma taxa anualizada entre 6% e 7%. No próximo ano, Malan espera uma taxa ainda mais baixa.
O ministro tornou a alertar contra um otimismo "exagerado, exarcebardo", sobre as dificuldades do País. "Não devemos subavaliar as dificuldades que teremos à frente nos próximos meses, condenando a ciclotimia, característica dos brasileiros que passam de uma profunda depressão e pessimismo para um ânimo exagerado."
Mesmo assim, o ministro acredita em uma recuperação gradual da economia no segundo semestre, com reflexos até mesmo no nível de emprego.
O ministro voltou a afirmar que o governo não vê necessidade de reestruturação de sua dívida pública interna e externa, reiterou que a adoção do currency board está totalmente afastada, explicando que apenas uma vez em 1993 o governo cogitou essa possibilidade, mas não a considerou adequada ao Brasil.
Sobre a dolarização na economia feita pela Argentina, Malan disse que ela está fora de questão. "Acho eu que mesmo para nossos vizinhos do Sul", disse.

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