Malan a Fraga acenam com redução de juro real
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domingo, 28 de março de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 29 (AE) - Se confirmada a tendência dos dados sobre a inflação, divulgados nas últimas semanas, o caminho estará aberto para algumas mudanças na trajetória atual da política monetária brasileira. No almoço de hoje, em homenagem ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, em São Paulo, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga destacou duas medidas possíveis: uma redução ainda maior na taxa de juro real e o aumento gradual da liquidez (disponibilidade de recursos) no sistema financeiro.
Sem mencionar números, Fraga assegurou que a liquidez já está bem ajustada. No início de março, o mercado estimava um excesso de recursos no sistema da ordem de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões. Para apertar a política monetária sem provocar uma alta radical nas taxas de juros, o governo decidiu aumentar o recolhimento compulsório sobre os depósitos a prazo, além de realizar vários leilões no dia-a-dia para retirar os recursos.
Se os sinais da economia continuarem positivos, Fraga acredita que o governo poderá voltar a "injetar recursos no sistema". Ele foi evasivo quanto aos sinais que confirmariam uma tendência de baixa, e não disse se uma nova redução dos juros poderia ser feita antes mesmo da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
De qualquer forma, existe um clima de otimismo dentro do governo. O ministro da Fazenda afirmou em seu discurso que o próprio mercado reconhece que "o aumento de preços não será transformado em inflação", o que significa uma apostando na queda das taxas.
"Pela primeira vez em muito tempo, os juros das operações do mercado futuro de um ano estão abaixo da taxa presente", observou, referindo-se às operações de swap que indicam juros de 36% ao ano, enquanto o overnight trabalha atualmente com 45% a ano.
Malan reafirmou a perspectiva de uma inflação de 0,5% no último trimestre do ano do ano, o que significa uma taxa anualizada entre 6% e 7%.
Ainda no primeiro semestre deste ano deverá ser anunciado o índice que vai fixar a meta de médio prazo para a inflação brasileira a ser perseguida nos próximos 12 a 24 meses, de acordo com Fraga, reafirmando a opção do governo por um índice de preços ao consumidor.
Títulos - Sobre o retorno dos leilões de venda de títulos prefixados, o presidente do BC destacou que não há um compromisso de realizá-los toda a semana, "mas a idéia é fazê-los com frequência" e, segundo ele, "o volumes serão estabelecidos de acordo com o vencimento de papéis durante a semana". Como nesta semana o volume é pequeno, o Tesouro Nacional, que estabelece o volume a ser vendido, determinou um montante baixo para o leilão a ser realizado amanhã (30).
Mais do que volumes, no entanto, o importante, é que os papéis prefixados - cuja rentabilidade é acertada previamente entre vendedor e comprador - permite, no médio prazo, traçar uma curva de taxa de juros, avaliou o presidente do BC.
Mercado externo - Em relação ao capital estrangeiro, Fraga fez algumas observações na coletiva aos jornalistas. Disse que as linhas comerciais, responsáveis pelo financiamento de boa parte das exportações brasileiras, ainda não foram retomadas e as renovações se mantêm nos mesmos níveis do dia 28 de fevereiro - há um compromisso dos bancos internacionais de operar as linhas de trade finance nos volumes existentes nessa data.
O almoço de hoje, organizado por praticamente todas as entidades representantivas de instituições financeiras do País, lideradas pela Federação Brasileiras das Associações de Bancos (Febraban), em apoio ao Programa de Ajuste do Governo, reuniu alguns banqueiros importantes como o presidente do Banco Itaú, Roberto Egydio Setúbal, e Lázaro de Mello Brandão, presidente do conselho de administração.
Malan fez uma retrospectiva da situação do País desde a crise da Rússia, concentrando-se nos motivos que levaram o Brasil a atingir o auge da crise, no mês de janeiro.


