"O papel dos pais e das mães é fundamental no empoderamento feminino", destacou Malala
"O papel dos pais e das mães é fundamental no empoderamento feminino", destacou Malala | Foto: Miguel Schincariol/AFP


São Paulo - A ativista Malala Yousafzai, em visita nesta segunda-feira (9) a São Paulo, defendeu a educação a longo prazo como melhor investimento, em especial para o desenvolvimento feminino. "O empoderamento das meninas vem da educação, tem a ver com emancipação", disse. A paquistanesa participou de evento promovido pelo Itaú Unibanco, no Auditório Ibirapuera.

Malala é a pessoa mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz, aos 17 anos de idade. Com 15 anos, ela foi baleada pelo Talibã por se manifestar contra a proibição da educação para mulheres. A paquistanesa lembra que, quando era uma aluna em seu país, outras colegas de sua classe também defendiam a educação feminina. "A diferença é que os meus pais nunca me impediram de falar o que eu pensava", disse.

A ativista lembrou uma situação em que uma colega da escola chegou atrasada para aula. A garota tinha de esperar os pais saírem de casa e, assim, sair para estudar escondida. "O papel dos pais e das mães é fundamental no empoderamento feminino", disse. "É importante que as mulheres se expressem, as mulheres têm que quebrar essas barreiras", completou.

A ativista disse que um dos seus objetivos no Brasil é "achar meios para que 1,5 milhão de meninas [fora da escola] tenham acesso à educação". Outra razão que levou Malala a viajar para o Brasil foi a força dos ativistas locais descobertos por ela. A ativista quer promover a educação entre as comunidades menos favorecidas do Brasil, especialmente as afro-brasileiras.

"Trabalhando junto com os defensores da educação e podendo dar a todas as pessoas, que vem das camadas menos privilegiadas, a esperança de que todos em volta se sintam seguras em receber educação de alta qualidade", disse. Malala afirmou ainda que vai anunciar, em breve, um projeto do Fundo Malala para que a educação seja abordada pelas campanhas eleitorais.

A ativista Tábata Amaral, 24, nascida na periferia de São Paulo, que representou o Brasil em competições internacionais de ciências e estuda astrofísica na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, participou também do debate sobre o assunto. Ela questionou sobre a possibilidade da união entre os ativistas internacionais. Em resposta, Malala disse acreditar na solução nascida entre os líderes comunitários. "Temos que ir às comunidades de base e trabalhar com os ativistas locais, que entendem os problemas e sabem a melhor maneira de resolvê-los", disse.

Outra participante foi a escritora mineira Conceição Evaristo, doutora em literatura comparada e vencedora do Prêmio Jabuti na categoria contos pela obra "Olhos d'Água" (2014). Conceição destacou o poder da leitura e da escrita incentivados por Malala, já que a adolescente partilhou a sua história e luta em seu livro. "As pessoas que não têm acesso [à leitura] não têm uma cidadania incompleta. Que a sua presença fortifique essa ideia e o compromisso que o Estado brasileiro precisa ter com a alfabetização", disse a escritora.

mockup