Mal de Alzheimer não é motivo para pânico Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 21 (AE) - Ronald Regan, com 87 anos de idade, não se lembra mais que foi, recentemente, presidente dos Estados Unidos. Reagan sofre o "mal de Alzheimer", o mesmo que afetou a magnífica Rita Hayworth, uma pessoa à deriva no final de sua vida: perda de memória, das lembranças, das palavras, a tal ponto que, num estágio avançado, os doentes não conseguem reconhecer nem mesmo o ambiente e os que os cercam.
Há alguns anos, um velho escritor escandinavo, afetado pelo mal de Alzheimer, "puxou para um lado" uma mulher, igualmente avançada em idade, durante um coquetel, propondo-lhe um encontro. A senhora disse então: "Mas, Harald, você não sabe mais que eu sou sua mulher?"
Embora, há dezenas de anos, se fale cada vez mais a respeito desta doença (o que justifica hoje a Sexta Jornada Mundial Alzheimer), o mal de Alzheimer já é reconhecido há um século: há 99 anos, o médico alemão Alois Alzheimer o estudou em um de seus pacientes de 51 anos, que morreu cinco anos mais tarde. Daí veio o nome de mal de Alzheimer.
Mas, ainda durante muito tempo, as deficiências de memória seriam consideradas unicamente um efeito da idade. Hoje, porém, se sabe que, embora a idade favoreça o processo, trata-se entretanto de uma verdadeira doença, cuja nosologia e cujas causas estão sendo gradualmente determinadas (certas lesões cerebrais bem determinadas) .
Uma segunda razão leva frequentemente o público à angústia: é a extensão da vida humana. É evidente que, com o progresso da gerontologia, o número de pacientes de Alzheimer irá aumentar.
Atualmente, existem na França 350 mil pacientes conhecidos de Alzheimer. Em 2020 haverá 620 mil.
Embora ainda sem o remédio para curá-la, a doença é hoje mais bem conhecida. Por exemplo, quanto ao momento em que ela surge. O mal atinge 3 a 4% da população a partir dos 65 anos, pouco mais de 18%, entre 65 e 84 anos, e 47,2%, depois dos 84 anos.
A doença provoca grande medo. Mas talvez sem razão. Efetivamente, como quase cada um de nós tem na família um caso de doente de Alzheimer, qualquer pequena falha de memória causa inquietação.
Isso porém é um pânico inútil, porque, depois dos 55 anos, todas as pessoas têm dificuldade para se lembrar das coisas. Portanto, se uma palavra nos foge, não vamos acreditar que somos um futuro Ronald Reagan.
Outro motivo de temor: esta doença passa aos descendentes por hereditariedade. Portanto, os que tiveram um pai, um avô, um tio, afetado pelo mal, ficam meio enlouquecidos.. Contudo, as coisas são bastante mais complicadas.
É verdade que alguns males de Alzheimer são genéticos (há três genes implicados) mas este dano genético é raro e intervém bem depressa, a partir dos 45 anos. E, na realidade, a maior parte dos casos de Alzheimer não é genética e se produz depois dos 65 anos. Portanto, é inútil ficar tremendo porque houve um caso de Alzheimer em sua família.
Outro elemento: as falhas ligeiras de memória podem ter origens inteiramente diferentes. Por exemplo, nas quedas do nível de atenção, em depressões devidas à ansiedade, ao stress, a medicamentos anxiolíticos... Portanto, se a gente perde algumas lembranças, convém em primeiro lugar tentar restabelecer uma atenção forte e calma, antes de entrar em pânico.
Quanto aos tratamentos, os especialistas são prudentes: não existe nenhum medicamento miraculoso. Existem três medicamentos no mercado, mas eles não bloqueiam a evolução do mal. Apenas melhoram alguns sintomas.
Os laboratórios trabalham energicamente para conter este mal. O cientista canadense Jules Poirier resume assim os protocolos de pesquisa: "Nós buscamos, não tanto curar o mal, mas impedir o começo da doença. Se se retardar a vinda do Alzheimer em cinco anos, serão eliminados 50% dos casos registrados no mundo. Mas se conseguirmos retardar o mal em dez anos, serão eliminaods 95% dos casos, pois, nesse meio tempo, as pessoas morrerão de velhice".





