Major afirma que não tinha conhecimento do conteúdo de mala, mas contradiz informações de coronel
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo e Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 23 (AE) - O major-aviador Antônio Takuo Tani, piloto do avião Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira (FAB), onde foram encontrados no domingo cerca de 33 quilos de cocaína, negou que tivesse conhecimento do material. A droga foi entregue em duas malas pelo coronel-aviador Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, que está preso em uma unidade militar, em Recife, desde quarta-feira. Tani prestou depoimento, hoje à tarde, durante mais de três horas ao titular da Delegacia de Repressão à Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal do Rio, Marcelo Duval Soares.
O major explicou que decidiu transportar as malas por um "ato de camaradagem" a Pereira, que foi seu chefe na 5ª Força Aérea do Campo dos Afonsos, em 1998, até o coronel ser transferido para o Centro de Operações da Amazônia, em Manaus. Tani contou que a Polícia Federal revistou as bagagens na Base Aérea de Recife antes do Hércules decolar para Europa. O destino final do avião seria a França, mas a droga deveria ser desembarcada em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, Espanha, onde estava prevista uma escala.
Segundo o oficial militar, para abrir as duas malas com a cocaína foi solicitada autorização via fax ao coronel Pereira, que permitiu a abertura. O major desmentiu o fax de autorização do coronel, segundo o qual a droga seria entregue a um homem identificado como Roberto. "A orientação que recebi foi entregar as malas a um motorista de táxi chamado Manolo", afirmou Tani. "Esse motorista fazia serviços para oficiais da FAB, como câmbio de moeda, transportes e reservas em hotéis". No depoimento do coronel Pereira ao Inquérito Policial-Militar (IPM), aberto pela Aeronáutica em Recife, o destinatário final da encomenda seria seu irmão José Carlos Pereira, que mora na Europa. "O depoimento do major não acrescentou nada às investigações", disse o delegado da DRE.


