Quando o Estado não julga e pune responsáveis por excessos em ações oficiais, a sociedade se organiza para punir simbolicamente os governantes. Este foi princípio para a realização do Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio. ‘‘Trata-se de um tribunal de opinião pública que reproduz simbolicamente o que o Estado deixou de fazer’’, disse o presidente do Tribunal, Helio Bicudo.
Durante a tarde depuseram o advogado Avanilson Alves Araújo, da Rede Nacional dos Advogados Populares (Renap) e o major da Polícia Militar do Estado de Sergipe, Luiz Fernando da Silveira Almeida. Avanilson Araújo contou das ameaças que sofreu da Polícia Militar ao tentar, como advogado, mediar as desocupações corridos em maio de 1999, na região de Querência do Norte (13 km do Oeste de Paranavaí), Noroeste do Estado. Já o major classificou a tática das polícias como ‘‘exagerada’’ e ‘‘abusiva’’.
‘‘O governo realizou uma série de desocupações irregulares, em que os mandados eram irregulares e o despejo eram feitos sem obedecer o que manda a Justiça’’, disse Avanilson Araújo. ‘‘Todos os despejos foram realizados sem a presença dos oficiais de Justiça. Um mesmo dia, seis fazendas foram desocupadas entre seis horas e seis e meia da manhã. Isso aconteceu mesmo com as áreas sendo muito distantes e existindo apenas dois oficiais na comarca de Loanda’’, afirmou.
Durante o depoimento do major Luiz Fernando da Almeida, de Sergipe, foi exibido um vídeo no qual aparecia o deputado federal Aberlado Lupion (PFL) com a cúpula do comando da Polícia Militar. Para o major Almeida, a combinação de políticos e Polícia Militar prejudica o preparo dos policiais. ‘‘Eles passam a ser treinados para considerar os sem-terra como inimigos’’, disse. Almeida disse que as táticas adotadas pelo governo estadual são antiquadas. ‘‘Trabalheir seis anos como gerenciador de conflitos e sei que é possível fazer desocupação sem violência’’, disse.
O julgamento em Curitiba aconteceu um ano depois que o agricultor Antonio Tavares Pereira morreu em um confronto com a PM na BR-277, próximo a Curitiba. O processo militar que apurou as responsabilidades pela morte do agricultor foi arquivado. (I.R.)

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