Curitiba - O major João Carlos dos Santos, integrante do primeiro escalão Polícia Militar do Paraná, foi absolvido pelo corpo de jurados ontem pela manhã em Curitiba. A votação, no 1º Tribunal do Júri, foi apertada. Quatro jurados acreditaram na inocência do major. Três, o consideraram culpado. O major foi julgado pelo assassinato da amante Marili do Roccio Delfrate e Liziely Delfrate, de 8 anos, filha do casal.
O promotor do caso, Celso Ribas, classificou a decisão dos jurados como ‘‘absurda’’ e ‘‘sem sustentação’’. Mas admitiu não ter argumentos legais para recorrer da decisão. ‘‘Os jurados optaram por uma das versões. Não há questionamento das provas’’, disse o promotor, lembrando que a decisão foi calcada em depoimentos de testemunhas. Ribas questionou durante o julgamento a veracidade das declarações do policial Airton Pereira da Silva arrolado como testemunha de defesa.
Airton da Silva se contradisse durante interrogatório na madrugada. O julgamento começou às 9 horas de sexta-feira e terminou ontem por volta do meio-dia. O juiz Salvatore Astuti, responsável pelo 1º Tribunal do Júri, determinou a abertura de um inquérito policial para investigar se houve ou não má-fé do policial. Além de ser expulso da corporação, o policial corre o risco de ser condenado à prisão.
As famílias do major e das vítimas acompanharam o julgamento. Pela decisão, o alvará de soltura de João Carlos dos Santos poderia sair ontem mesmo. O major ficou preso no Batalhão da Polícia de Guarda, na Capital, desde 1998, ano do crime. A família Delfrate ficou revoltada com a decisão. A do major, aliviada.
O crime repercutiu na época. As ossadas de Marili e Liziely foram encontradas no Viaduto dos Padres (Serra do Mar), 40 dias depois de as duas terem sumido de Curitiba. Peritos do Instituto Médico-Legal (IML) atestaram a existência de fratura nos dois crânios, o que relevou o espancamento das duas. Casado, o major negou a responsabilidade pelas mortes. A base da defesa foi a negativa de autoria.

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