Major acusa ex-policial de tê-lo envolvido no grampo por vingança
Rio, 29 (AE) - O major do Exército Divany Carvalho Barros acusou o ex-policial Célio Arêas da Rocha de ter envolvido o nome dele no grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por vingança. No depoimento à Polícia Federal (PF), ontem (28), Barros contou que demitiu Rocha da empresa de levantamento de dados cadastrais de propriedade dele, a Soper, por desvio de dinheiro. Ele negou ser "sócio" do funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o "Telmo", no esquema de escuta telefônica clandestina apresentado pelo ex-policial num dossiê entregue à Justiça.
"Sou amigo do Telmo e acho que ele é um bode expiatório para salvar aquele canalha", disse o major, referindo-se ao fato de que Rocha está sob a Lei de Proteção à Testemunha. As acusações de Barros mostram um racha na comunidade de informações: sob as investigações do grampo, os integrantes passaram a incriminar uns aos outros.
O major, por exemplo, disse que, em dezembro, numa conversa com o então diretor do Centro de Inteligência e Segurança Pública (Cisp) da Secretaria Estadual de Segurança do Rio, o coronel do Exército Romeu Antonio Ferreira, soube que o nome dele tinha sido apresentado ao delegado federal Rubens Grandini pelo engenheiro eletrônico Paulo Renaud, que estaria trabalhando como perito ad hoc (designado) para a PF.
"Conversei na época com o Barros, que é meu amigo, mas nunca disse isso a ele, até porque não sabia", contestou Ferreira.
Renaud confirmou que trabalhava no caso, mas também negou ter denunciado o major. "Não denunciei o Barros nem o Telmo", garantiu ele.
Apesar da experiência em Tecnologia de Telecomunicações, Renaud dedica-se, atualmente, à hipnoterapia: é dono de uma clínica na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, onde faz consultas. Nos últimos dez anos, ele conciliou essa atividade com serviços para a PF do Rio, em investigações sobre narcotráfico e sequestro. O engenheiro admite que não mantém boas relações com o ex-coordenador da Abin no Rio João Guilherme Maia.
Outra briga dentro da tumultuada comunidade de informações aconteceu entre Barros e os coronéis do Exército Marcelo Romeiro da Roza e Otelo José Costa Ortiga, que foram sócios na Network Assessoria e Planejamento, uma empresa de segurança e investigações. "Houve divergências por causa de dinheiro", contou Barros. Roza é irmão do presidente da Telemar Rio, Márcio Augusto Romeiro da Roza, e dirige uma outra empresa que instalou a central telefônica do BNDES. Segundo o major, a Network prestou serviços para o ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, dono do Banco Marka.
"Depois que foi sequestrado, montamos um plano de segurança para ele", contou Barros. No depoimento em juízo, Rocha acusou "Telmo" de ser um sócio informal da Network e fazer grampos para os clientes da empresa. Barros negou que Rocha tenha trabalhado na Network, como afirma no depoimento. "Ele trabalhou comigo apenas na parte de dados cadastrais", garantiu.





