Londrina – O Ministério da Saúde credenciou o Hospital do Coração de Londrina para realizar transplantes de válvulas cardíacas, conforme publicação da portaria 739/2013 no Diário Oficial. O hospital é o nono a realizar este tipo de procedimento no Paraná, sendo o terceiro do interior. Os outros são o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), e da Santa Casa, em Londrina.
O Hospital do Coração esperava havia um ano pelo credenciamento. "São exigidas documentações, preparo de equipe, treinamentos, vários fatores até chegar ao credenciamento", afirma o cirurgião cardiovascular e diretor clínico do Hospital do Coração, Gualter Pinheiro Júnior.
O credenciamento cria uma nova opção para tratamento de pacientes com doenças cardíacas. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular trouxe levantamento mostrando que 24 mil recém-nascidos precisam de algum tipo de cirurgia cardíaca para sobreviver no País. No entanto, 62% daqueles que nascem com doenças genéticas não encontram atendimento.
Qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração que surge nas primeiras semanas de gestação é considerada uma cardiopatia congênita, que atinge oito crianças a cada mil nascimentos.
O avanço da medicina garante chances reais de cura e correções para os mais complexos defeitos na estrutura do coração. Em muitos casos de doenças nas válvulas, é necessário que o paciente se submeta a um procedimento cirúrgico para trocar a estrutura doente. Os médicos têm a opção de usar válvulas mecânicas (próteses), biológicas (de origem bovina ou suína) ou humanas.
"No momento em que você põe uma prótese no corpo de um paciente, gera uma reação no organismo por se tratar de um corpo estranho. Além de gerar calcificação, sofre estresse hemodinâmico por receber pressão de sangue constantemente, um desgaste. As válvulas de origem animal têm durabilidade no jovem muito baixa e desempenho hemodinâmico não tão bom. As trocas são constantes", explica Pinheiro Junior.
Eliane França, de 31 anos, já passou por três cirurgias dessas. Na última, ocorrida mês passado, ela conseguiu um transplante de válvula humana no Hospital do Coração. Depois de muita espera, a auxiliar de laboratório espera que esta cirurgia seja definitiva.
"Descobri um problema na válvula pulmonar quando tinha 7 anos. Ultimamente usava uma válvula animal e vinha sentindo muito cansaço. Esse transplante trouxe um alívio muito grande para mim e para minha família, já que a durabilidade (da válvula) é muito maior. Minha respiração já melhorou bastante e estou muito animada", diz.
Eliane foi a primeira pessoa a passar pelo transplante cardíaco no Hospital do Coração. "Foi um caso excepcional. Recebemos autorização porque que tínhamos toda a documentação bem encaminhada no Ministério da Saúde", explica Pinheiro Junior. A paciente se recupera bem da cirurgia em Apucarana (Centro-Norte), onde vive com o marido e a filha de 9 anos.
Outro transplante executado foi de uma criança com menos de 2 anos, que nasceu com ausência da válvula pulmonar. A paciente passa bem e já está com a família no Mato Grosso.

Transplantes
Com esse, foram seis os transplantes cardíacos de válvulas humanas realizados em 2013 em Londrina, o mesmo número de procedimentos executado em todo o ano passado. Desde o início dos trabalhos do Banco de Válvulas, em 1996, este foi o transplante de número 50 em Londrina.
O Banco de Válvulas, o primeiro do País neste segmento e que é coordenado pelo Hospital de Caridade da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, já registrou 203 captações de coração ao longo desses anos em Londrina, cinco em 2013. "Londrina é um importante centro no Estado", define a supervisora técnica do Banco de Válvulas, Marise Brenner Afonso da Costa.
O Banco de Válvulas disponibilizou 3,2 mil válvulas cardíacas para serem transplantadas nos últimos 17 anos no Paraná. "Se tivéssemos mais doações, esses números poderiam ser ainda maiores. O enxerto é uma cirurgia eletiva, a gente vai tentando fornecer (materiais) na medida que vai recebendo. Hoje não tenho disponíveis enxertos decelularizados. O que a gente recebe, sai."

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