Mais um pistoleiro é procurado pela PF
Agência Folha
De Ponta Porã
e Cuiabá
A Polícia Federal (PF) está procurando em Ponta Porã (MS) um pistoleiro acusado de participar, junto com o ex-policial militar Maucício Naveiro, da execução do juiz Leolpoldino Marques do Amaral, morto com dois tiros dia 7. Naveiro responde a quatro processos por homicídio e está preso desde o dia 9 por porte ilegal de uma pistola 380. Segundo informações da polícia, ele teria recebido R$ 100 mil pelo serviço. A Justiça Federal expediu novos mandados de prisão e de busca e apreensão em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Desde sábado, o caso corre em segredo de Justiça.
Ontem à tarde, o superintendente da PF em Mato Grosso, Cláudio Luiz da Rosa, assegurou que o crime será solucionado num prazo máximo de dois meses. Rosa disse que todas as informações, por medida de segurança, serão divulgadas pela Assessoria de Imprensa da PF em Brasília. A polícia ainda não divulgou, também por cautela, o paradeiro da escrivã do Fórum de Mato Grosso Beatriz Arias, que se entregou na sexta-feira. Ela também é suspeita de participar do assassinato do juiz.
Hoje, chega a Cuiabá a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado. Antes do desembarque da comissão, o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso, Wandyr Clair Duarte, regularizou a situação de parentes de desembargadores que trabalhavam em cargos comissionados no tribunal. Na quinta e sexta-feira, o Diário Oficial da Justiça do Estado publicou atos de exoneração de cinco parentes dos desembargadores Athaíde Monteiro da Silva, Mariano Alonso Ribeiro Travassos e Jurandir Florêncio de Castilho. Todos os demitidos trabalhavam em cargos comissionados nos gabinetes dos desembargadores e, em 21 de novembro, prestaram concurso para auxiliar judiciário do TJ.
Depois de aprovados para exercer cargos de nível médio, eles foram requisitados para os gabinetes dos pais e maridos em funções comissionadas de nível superior, com salários mais altos. É o caso de Victorino Monteiro da Silva Neto, filho de Monteiro Filho, contratado para oficial de gabinete, com data retroativa a 22 de julho.
A situação dos parentes dos desembargadores, porém, não havia sido regularizada até a publicação da exoneração e contratação, agora como funcionários concursados, no Diário Oficial de quinta e sexta-feira.
A data do despacho de Duarte é do dia 3, mesma data em que o juiz Leopoldino Marques do Amaral desapareceu. Seis dias antes de sumir, Amaral havia enviado um relatório para a CPI do Judiciário e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), contendo denúncias de corrupção, nepotismo, assédio sexual e venda de sentenças envolvendo 16 dos 20 desembargadores do tribunal. Antes de morrer, ele investigava o envolvimento de alguns deles com tráfico de drogas. É muito estranho essa medida de ajuste tomada agora pelo presidente do TJ, afirmou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mato Grosso, Ussiel Tavares.
Hoje, os senadores da CPI têm encontros com representantes da Polícia Federal (PF) de Mato Grosso, da Assembléia Legislativa e do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a Assessoria de Imprensa do TJ, o órgão não estará disposto a fornecer todas as informações que forem requisitadas pelos senadores.





