São Paulo - A Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos, fabricante do contraste Bariogel, divulgou uma nota oficial ontem garantindo a qualidade do medicamento. A divulgação ocorreu depois que a Superintendência da Vigilância Sanitária e Ambiental de Goiás suspendeu cautelarmente o uso do lote 03010191, suspeito de provocar a morte de uma pessoa no Estado.
Segundo o presidente do laboratório Cristália, Ogari Castro Pacheco, a proibição aconteceu porque havia uma suspeita de que o Bariogel tivesse a composição parecida com a do Celobar, que teria provocado 15 mortes só em Goiás.
''A nossa matéria-prima não tem nada a ver com a do outro produto. Assim que soubemos da suspeita de que uma das inúmeras mortes investigadas pelo uso de Celobar estava sendo atribuída à utilização de Bariogel, acionamos a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)'', disse Pacheco.
O presidente do laboratório informou que, por medida de precaução, todas as unidades de Bariogel no mercado foram reavaliadas. ''Nosso produto está absolutamente perfeito. Produzimos de 25 mil a 28 mil copos por mês. Eu seria capaz de tomar dois copos do meu produto em frente às câmeras (de TV) tamanha a certeza de que meu produto não tem nada'', afirmou Pacheco.
Cerca de 5 mil unidades do lote suspenso foram distribuídas em todo o país desde janeiro. A Clínica de Raios-X Naby Salum, que teria apontado a irregularidade no produto, recebeu cem frascos, dos quais utilizou 60.
Para Pacheco, há três hipóteses para explicar a morte da paciente que teria consumido o contraste. ''Ela pode não ter tomado Bariogel. Se tomou, foi misturado ou tinha uma doença de base já existente, como Chagas. A intoxicação, se houve, foi um sal solúvel de bário. O nosso produto não contém sais solúveis de bário.''
Procurado pela reportagem, o dono do laboratório Enila, fabricante do Celobar, Márcio D'Icarahy, não foi encontrado. As tentativas de contatá-lo nos telefones do laboratório e do escritório de seu advogado, Paulo Henrique Lins, também não obtiveram sucesso. D''Icarahy prestará depoimento ao titular da Delegacia de Repressão ao Crime Contra a Saúde Pública, Renato Nunes da Silva, na segunda-feira.
Serão apurados, de acordo com o delegado, os crimes de adulteração de medicamento, cuja pena vai de 10 anos a 15 anos de prisão, e de venda de produto impróprio para consumo, cuja pena varia de 2 anos a 5 anos.

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