Maurício Borges
Enviado a Ivaiporã
Os acampados da Fazenda 7 Mil cumpriram ontem mais uma etapa de seu compromisso de soltar todo o gado da propriedade nas estradas e rodovias da região. Eles abriram as cercas da fazenda, nas proximidades do distrito de Bentevi, Município de Ivaiporã (150 km ao sul de Apucarana) e liberaram mais 800 animais. Em julho e agosto eles já haviam soltado dois lotes de bovinos na BR-466, junto ao Parque de Exposições da Sociedade Rural Centro do Paraná, em Ivaiporã.
A boiada solta ontem estourou numa estrada rural, um quilômetro depois do distrito e causou pânico nos moradores da região. Não há notícias de vítimas, mas vários agricultores tiveram prejuízos com danos materiais, incluindo cercas e lavouras que foram pisoteadas e destruídas pelos animais.
Logo depois que o rebanho foi abandonado no local, por volta das 14 horas, produtores da região começaram a ligar para a delegacia de Jardim Alegre e Polícia Militar de Ivaiporã.
Um dos mais prejudicados foi o agricultor Agostinho Gonçalves dos Santos. Até o final da tarde, uma pequena área de pastagem de seu sítio estava ocupada por cerca de 500 cabeças de gado nelore, que vieram da 7 Mil. Funcionários da fazenda foram para o local, mas admitiram que não tinham meios de reunir os animais dispersos em sítios e fazendas da região e que também não tinham área de pastagem suficiente para alojar o rebanho.
Policiais militares foram deslocados para Bentevi, mas apenas acompanharam a situação. Segundo o capitão José Carlos Xavier, a PM tem orientação de agir somente para evitar conflitos. Vilmar da Silva, um dos líderes do acampamento, justificou que há mais de três meses os sem-terra vêm pedindo a retirada do gado da 7 Mil, mas o fazendeiro Flávio Pinho de Almeida não se manifestou a respeito.
‘‘Temos 250 alqueires de terra preparados para plantio de feijão, arroz e mandioca e não queremos mais o gado aqui’’, afirmou ele, lembrando que os animais já destruíram outras áreas cultivadas pelas 650 famílias acampadas na fazenda. Ele lembrou que duas vistorias do Incra confirmaram que a área é improdutiva. ‘‘Mesmo assim passaram-se três anos e os sem-terra não foram assentados’’, criticou, anunciando que até o final da semana o restante do rebanho, que ele estima em torno de 1.300 cabeças, será solto.

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